Frankenstein e o ano sem verão

Nota: Este é um texto de 2009, minha primeira tentativa de resenha. Está longe de ser um primor, ms tem algumas ideias que ainda hoje acho interessantes , portanto resolvi compartilhar. Enjoy

Victorian London lampEm 1815 o monte Tambora explodiu espetacularmente, matando 100 mil pessoas e levando o nosso planeta a uma convulsão climática que ninguém vivo hoje chegou a presenciar… Começava o ano sem verão, ou o ano One Eight Hundred and Freeze to Death (mil, oitocentos e frio de morrer, numa tradução livre). E este acontecimento longínquo mudou a face da nossa literatura mundial…

Como assim? você pode me perguntar… Tudo começou com um verão(!?) entre amigos, na Suíça. Os amigos? Lorde Byron, Mary Shelley e seu marido Percy Bysshe Shelley, John William Polidori, and Claire Clairmont. A combinação de frio e chuva, inesperados naquela estação, forçou o grupo a passar muito mais tempo em casa do que o previsto. Um verão chuvoso na praia…sem TV (nem internet). O que você faria?

Eles fizeram um concurso… Após lerem vários contos alemães de terror, resolveram competir pela melhor história original de terror. E, desse encontro fortuito, surgiram o primeiro conto sobre vampiros – The Vampyre, de Polidori, e a fantástica obra de Mary Shelley, Frankenstein.

Divaguei sim, mas o pano de fundo da geração de uma das criaturas mais presentes no imaginário popular era o que faltava para me lançar de vez sobre este clássico. E digo isso com certa vergonha, pois o livro me deixou com a sensação clara de “Por que cargas d’água não li isso antes???” (assim mesmo, com vários e vários pontos de interrogação).

Não é propriamente um livro de terror, mas um livro sobre intolerância, miséria e dor, com reflexões poderosas e pungentes, que muitas vezes nos toma de assalto e nos angustia… A história é narrada pelo próprio Dr. Victor Frankenstein, a Walton, um aristocrata em busca do conhecimento, que decide cruzar o pólo Norte a navio. Acredito que muito da fluidez do texto se deva a esse formato.

A criatura, que não se parece em nada com a imagem que eu fazia dela, não possui um nome, e é chamada constantemente de demônio por seu criador. É um homem incompleto, rejeitado por seu criador, rejeitado pela sociedade, e mesmo assim um ser altamente sensível, inteligente e até, digamos, sensato. Ele convive com uma solidão que só podemos imaginar, e seu sofrimento é narrado de maneira simples, mas tocante.

Num resumo, o monstro acaba por matar todos aqueles próximos de seu criador, numa vingança fustigada pela rejeição deste e de seus semelhantes. O ódio que o ser humano, preconceituoso por natureza, dedicou a ele, retornou em forma de assassinatos cruéis, daqueles que eram inocentes… A incompreensão, a angústia, a dor, o desespero, a solidão, são objetos do discurso de Victor, mas são mais vívidos na criatura. A dimensão das atitudes de uma pessoa, e suas consequências, nos mostra quanto nosso raciocínio é parcial, o quão imperfeitos somos quando julgamos as atitudes do próximo, sem levarmos em conta nossas próprias falhas.

No ar ficou uma pergunta. E se nós fôssemos os rejeitados, agiríamos melhor?

Anúncios

Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
Esse post foi publicado em Literatura, Literatura Estrangeira, Resenhas e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s