Penny Dreadful (ou como a expectativa estraga uma boa história)

20140509HOPennyDreadful2-1Depois de todos, finalmente terminei de assistir a primeira temporada de Penny Dreadful (Showtime, 2014). Esperei bastante pelo lançamento – e não sou das melhores em achar capítulos na internet – e talvez essa espera, junto com a expectativa que formei de seu nome, tenham arruinado minha experiência. Explico:

Passei meses mergulhada no século XIX, lendo clássicos e menos clássicos, artigos de jornal, histórias conhecidas, pouco conhecidas, quase desconhecida e, como não podia deixar de ser, penny dreadfuls. E com isso formei uma ideia bastante firme sobre o que são penny dreadfuls, histórias sensacionalistas e violentas, que deixariam a Tribuna com vergonha. O nome mais conhecido destas histórias, para o leitor de hoje? Sweeney Todd. Eram histórias para consumo popular, e direcionavam estas histórias para seu leitor. Eram histórias próximas de seu cotidiano.

Claro, penny dreadfuls falavam do sobrenatural eventualmente, mas não eram os casos mais comuns. E eu esperava muito gore, histórias sombrias, histórias como a Enciclopédia Britannica define:

penny dreadful, plural penny dreadfuls, also called bloods,  an inexpensive novel of violent adventure or crime that was especially popular in mid-to-late Victorian England. Penny dreadfuls were often issued in eight-page installments. The appellation, like dime novel and shilling shocker, usually connotes rather careless and second-rate writing as well as gory themes. (…) In modern parlance, penny dreadful refers to any story or periodical characterized by sensationalism and violence.

Eu realmente não esperava lidar com uma versão renovada da Liga Extraordinária. Certamente não esperava os Clássicos revistos, como Viktor Frankenstein, Mina Harker, Dorian Gray. A série tem mesmo um Allan Quartermain disfarçado de Malcom. Todos saídos de livros que tratam do sobrenatural com maestria, mas que já eram conhecidos e reverenciados como autores de sucesso em seu tempo. A parte mais próxima de um Penny Dreadful fica por conta da história de Brona, ou seja, quase totalmente em segundo plano.

E é por isso que, mesmo contando com uma excelente ambientação na Londres Vitoriana, uma trama envolvente e bons atores, a série Penny Dreadful não ganhou meu coração. Não bastou para mim, que eles construíssem uma história coerente com os personagens dos cânones do terror. Não bastou para mim a história da Vanessa Ives, bem construída por Eva Green. Ou o excelente Ethan Chandler, o americano perdido na realidade inglesa.  Eu esperava algo mais cru, mais visceral, mais “underground”. Com o risco de soar hipster, Penny Dreadful acabou ficando algo muito “mainstream”.  Sem contar que, por favor

[spoiler] que história foi essa de enfiar a fórceps um lobisomem na história? [/spoiler]

Esse é o problema com expectativas. Muito provavelmente, se eu não fosse tão fanática pela literatura e pela Era Vitoriana, e tão apaixonada pela ideia de um penny dreadful, eu seria fã da série. Por sorte ainda tenho Ripper Street.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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