Jack the Ripper – Parte V

350px-MaryKellyDepois do duplo evento, Jack the Ripper resolveu… “dar um tempo”. Outubro foi um mês relativamente tranquilo, se é que a presença de um homem que abate mulheres sem pena ou perdão e sem deixar rastros pode ser considerada tranquila. Não que a polícia tenha cruzado os braços no período. Dezenas de cartas chegam aos postos policiais todos os dias, cada uma com uma dica ou possível paradeiro, muitas de jornalistas e outras pessoas se auto proclamando Jack o Estripador.

Eles tem um número massivo de anotações sobre o caso, mas a maior parte das linhas investigativas atinge um beco sem saída. A imprensa não ajuda muito. Distribuindo indiscriminadamente todos os fatos da história, bem como todos os boatos, alguns plantados por eles próprios, ele conseguiram criar uma atmosfera de pânico difícil de comparar. Mas ninguém estava preparado para o que viria a seguir.

Mary Jane Kelly, também conhecida como Marie Jeanette Kelly, Mary Ann Kelly, Ginger ou Fair Emma, tinha aproximadamente 25 anos em 1888, o que faz dela a mais jovem das vítimas canônicas de Jack. Ela tinha 1,68m, loura de olhos azuis, bem formada. Quem a conheceu dizia que era extremamente bonita, que usava sempre um avental branco e limpo, e também que parecia ter nascido em uma situação melhor do que a maior parte dos moradores de Whitechapel. Para seu amante, Joseph Barnett, ela contou ser irlandesa, cuja família teve de mudar para o país de Gales. Efetivamente, Kelly falava um galês fluente.

Costumeiramente calma e educada, quando bebia costumava mudar, ficando barulhenta e desordeira. Quase tudo que sabemos dela vem de Joseph Barnett, e suspeita-se que ela tenha acrescentado ali detalhes para embelezar sua história. Diz ela que se casou em 1879 com um mineiro chamado Davies que poucos anos depois morre em uma explosão na mina. É possível que um filho tenha surgido dessa relação. Sua chegada a Londres data de 1884.

Para Barnett, Kelly conta ter trabalhado num bordel de luxo no West End londrino, numa época melhor de sua vida, como acompanhante de cavalheiros, com quem andaria de carruagens e viveria uma vida de relativo luxo. Nesta época ela acaba se tornando dependente de substâncias intoxicantes, e acaba expulsa do bordel. Em 1886, aparentemente, pulou de amante para amante e de casa para casa, até conhecer Barnett, em Spitalfields.Em 1887, após apenas dois encontros, eles decidem morar juntos.

Em 30 de outubro, no entanto, Barnett deixa a casa que divide com Mary Jane em Miller’s Court. Segundo ele, ela abrigava outras prostitutas sob seu teto regularmente, mas a gota d’água teria sido dividiro quarto deles com uma colega de profissão chamada Julia. Mas eles continuaram se vendo, todos os poucos dias até sua morte. Ela é vista num bar às 11 da noite, bastante bêbada, acompanhada por um senhor mal arrumado, com 35 ou 36 anos, mas meia noite ela já está em casa, atazanando os vizinhos cantando uma e outra vez a mesma música: “A Violet from Mother’s Grave”. Às duas da manhã ela é vista por George Hutchinson, que também é a testemunha que deu a descrição mais detalhada do possível assassino.

Seu corpo foi encontrado às 10:45 da manhã do dia 9 de novembro de 1888. Segundo o legista, elamorreu  por volta das 4 da manhã, mas duas testemunhas alegam tê-la visto depois das 8:30 da manhã daquele dia. O que os legistas encontraram é uma cena difícil de descrever. Mary Jane foi mutilada a ponto de ficar praticamente irreconhecível, seu corpo totalmente escavado pela faca do assassino, eviscerado, o rosto repleto de cortes, seu coração não estava mais lá. Isso sem contar no sangue que tomou conta do chão e das paredes de seu quarto.

O que leva alguém a tratar outro ser humano como tal é difícil imaginar. Além das cinco vítimas do assassino, dezenas de outras mulheres foram assassinadas naquele ano fatídico e nos anos que se seguiram, Difícil também é entender o nível de miséria em que essas mulheres viviam, dependendo de 1/240 parte de uma libra esterlina para passar de um dia para o outro, sofrendo abusos, fome, vendendo-se por um copo de gim, sendo admoestadas por sua condição social, seus hábitos, sua falta de meios. Mulheres com vidas interessantes, ainda que sofridas, cujos fins trágicos alçaram um nome para a posteridade: Jack o Estripador.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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