Jack the Ripper – Part II

annieinlife_bigConheça Annie Chapman. Em 1888 ela tinha 47 anos, era uma mulher robusta de um metro e meio de altura, belos dentes, olhos azuis, cabelos castanhos e cacheados, bastante sedosos. Annie cresceu em Paddington com suas três irmãs e seu irmão.  Aos 28 anos, 1869, se casou com John Chapman, cocheiro, e com ele teve três filhos: Emily Ruth, Annie Georgina e John Alfred. Emily morreu aos 12 anos, de meningite, John era deficiente físico, e foi encaminhado para um abrigo.

O casamento de Annie e John terminou entre 1884 e 1885, de comum acordo. Os amigos da família alegam que a separação se deu por causa da bebida. Tanto Annie quanto seu esposo bebiam bastante. Apesar de nenhuma de suas amigas descrevê-la como alcóolatra, Annie tinha um conhecido gosto por rum. Após a separação, John enviava a sua esposa um total de 10 shillings semanais até o natal de 1886, quando ele morreu.  Até então Annie vivia relativamente confortável com a pensão de seu ex-marido, vendendo flores e trabalhos de crochet. Ela começou um relacionamento com John Sivvey. Mesmo assim, ficou bastante abalada com a morte de Chapman, e chorou ao contar a notícia para sua amiga, Amelia Palmer.

Assim que o dinheiro acabou, seu novo amante, John Sivvey a abandonou. Eles moravam no nº 30 da rua Dorset, em Spitalfields. Naquele mesmo ano, ela se mudou para um alojamento não muito longe dali, chamado Crossingham’s Lodging House no número 35 da mesma rua. Logo ela conhece Edward Stanley, que morava na rua Osborn, em Whitechapel, e com ele passava os fins de semana, acompanhados por Eliza Cooper. Stanley frequentemente pagava o alojamento de Annie na rua Dorset, e ameaçava cortar o benefício caso ela entrasse no alojamento acompanhada por outro homem.

Annie só começou a trabalhar como prostituta após a morte de seu marido. Ela era o que poderíamos chamar de prostituta casual. Ela complementava sua renda com as flores e o crochet, e com a ajuda de Stanley. Pouco antes de sua morte, Annie e Eliza brigaram feio. Annie ganhou um olho roxo e alguns machucados na região do peito. Não se sabe exatamente o motivo da rusga, mas tudo indica que Stanley tenha sido o pivô. Mesmo antes disso, a saúde de Annie não estava em seu ápice.

Ela sofria de tuberculose, não diagnosticada em vida, e provavelmente contraíra sífilis, além de um possível quadro de depressão. No relatório do legista consta que Dark Annie (apelido dado por causa da cor de seu cabelo) estava desnutrida. Nos últimos dias de sua vida, visitou uma espécie de posto de saúde (casual ward), onde adquiriu alguns medicamentos para sua doença. Ela reclamou de dores com sua amiga Amelia Palmer.

No dia 7 de setembro, uma sexta feira, às cinco da tarde, Amelia encontra Annie na rua Dorset, começando seu expediente. Ela estava sóbria. Amelia lembra que a amiga reclamou estar muito doente para fazer qualquer coisa, mas quando se reencontraram, ela não havia se mexido: “Preciso pagar meu alojamento”, teria dito Annie. Às 11:30 daquela noite ela volta para o alojamento e pede para ficar na cozinha, onde Frederick Stevens, morador do alojamento, a encontra. Ela bebe um pint de cerveja, e parece estar começando a ficar bêbada. Stevens diz que ela ficou ali pelo menos até a 1 da manhã.

E ali ela estava quando William Stevens, outro morador do alojamento, entrou na cozinha. Para ele, Annie contou que visitou o Vauxhall Gardens para encontrar sua irmã, e que esta lhe dera 5 pennies, que, aparentemente, tinham sido gastos com bebida. Enquanto conversavam, ela tira de um bolso uma caixinha de remédios, que se quebra. Annie pega um envelope que tinha sido deixado próximo da lareira e improvisa um invólucro para suas pílulas. Ela sai da cozinha, e William acha que ela vai dormir.

À uma e trinta e cinco da manhã, o vigia noturno, John Evans, encontra Annie comendo uma batata assada na cozinha. Ele cobra a taxa do alojamento, mas Annie não tem o dinheiro. Ela sobe para a sala do administrador, e pede que ele não alugue sua cama, que ela vai conseguir o dinheiro. Sua cama habitual é a de número 29. Ela sai do alojamento. São cinco e meia da manhã quando Elizabeth Long encontra Annie, na cerca do nº 29 da rua Hanbury. Ela está com um homem, pressionada contra a cerca. Eles estão conversando. Pouco depois um carpiteiro que morava no número 27 da mesma rua ouviu uma mulher dizer não, e um barulho contra a cerca de sua propriedade. Pouco antes das seis, John Davis, morador do número 29, encontra o corpo de Annie Chapman, severamente mutilado.

A partir deste assassinato, aquele que chamamos hoje de Jack the Ripper ganhou a alcunha de Avental de Couro (Leather Apron) pela conjunção de dois fatores, um o fato de um dos legistas ter dito que o assassino poderia ser açougueiro, e um avental de couro ser encontrado no pátio onde Annie foi encontrada. Jack só atacaria novamente no dia 30 de setembro.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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