La boîte à Pensées: Sobre o ócio contemplativo

O mundo está conectado. Por todos os lados pululam iPhones, iPads, Smartphones, laptops, computadores e o bendito wi-fi. E isto é ótimo, mesmo. Permite conversar instantaneamente com pessoas ao redor do mundo, distribuir suas opiniões e reclamações online no Twitter e no Facebook, mostrar as fotos maravilhosas da sua viagem para sua mãe (e quem mais te seguir) no momento exato em que são tiradas. É, viva a tecnologia.

E é só quando ficamos offline – à força – que descobrimos o quanto nos tornamos dependentes de tudo isso. E o quanto pode ser bom ficar sem tantos bleeps por alguns minutos. Talvez não tenha sido perceptível para quem acompanhou o Meia Palavra durante a FLIP, mas conectividade foi, para nós, algo bastante limitado. Funcionavam: alguns celulares com 3G  e o wi-fi de algumas casas, como a do IMS, nosso eterno salvador.

Junte-se a isso o fato de que a equipe, positivamente atolada de compromissos, pouco se encontrava durante o dia. Eu, um pouco mais tímida que a maioria, um pouco mais séria, um pouco mais…perdida, talvez, acabei passando várias horas sozinha nas ruas de Paraty. Desconectada. E assim contemplei, sem filtros, a beleza do canal, do céu límpido, das águas calmas, dos belos morros que os emolduravam. Contemplei também o burburinho das vozes, o vai e vem dos muitos leitores apaixonados, que entravam e saiam da livraria, da fila dos autógrafos, e povoavam os cafés.

Fui arrebatada pela beleza do lugar, mas também pela falta que estava me fazendo esse dolce far niente. O sentar num banco e simplesmente olhar para a paisagem, sem livro, sem música, sem celular, sem preocupações. Estive ali, naquele momento, não pensando no passado ou planejando o futuro. Estive ali, simplesmente, contemplando a beleza. Esta beleza analógica que a câmera do celular quase sempre falha em apreciar.

O contraste desse silêncio com a loucura de tentar fazer a cobertura da FLIP me revigorava. Após esses necessários momentos de ócio contemplativo, assistir mesas em português, inglês, espanhol e francês; tentar – e conseguir – entrevistas, participar de conversas com os autores, filas de autógrafo, filas da livraria ou mesmo me perder no labirinto cultural de Paraty adquiriu novas cores.

Voltei de viagem absolutamente cansada, mas absolutamente feliz. Voltei com novos planos e uma nova energia. Estou novamente 100% conectada, mas ciente de que estes minutos de contemplação não podem se perder na memória da viagem, mas devem me acompanhar sempre. Ainda que sejam momentos de contemplação imperfeitos, recheados de fotos do Instagram.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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