O Preço do Amanhã (Andrew Niccol)

Will Salas: I don’t have time. I don’t have time to worry about how it happened. It is what it is. We’re genetically engineered to stop aging at 25. The trouble is, we live only one more year, unless we can get more time. Time is now the currency. We earn it and spend it. The rich can live forever. And the rest of us? I just want to wake up with more time on my hand than hours in the day”.

Imagine um tempo em que todas as pessoas foram geneticamente alteradas para pararem de envelhecer aos 25 anos. E para morrerem exatamente um ano depois. O que impede esta morte é o ganho de tempo numa espécie de cronômetro, que é parte integrante do atual corpo humano. Zerado o cronômetro, morta a pessoa. Simples assim. Neste mundo tempo é, literalmente, dinheiro. As pessoas precisam do tempo de seus cronômetros não apenas para viver, mas também para adquirir bens, usar o transporte público, pagar o pedágio. Ganha-se tempo trabalhando, ou compartilhando-o com alguém, através de um aperto de mão específico.

Este mundo foi dividido em Zonas Horárias, conforme a quantidade de tempo disponível nos relógios. Will Salas (Justin Timberlake) mora na zona horária 12, uma espécie de gueto. Seu cronômetro normalmente possui menos horas do que o dia. Para ganhar minutos de vida, trabalha numa fábrica de armazenadores de tempo. Em sua vizinhança, um cronômetro zerado é algo comum, as gangues são comuns, e há uma máfia especializada em roubo de tempo. É um lugar em que possuir uma semana em seu relógio é uma raridade, e algo extremamente perigoso.

E é neste canto da periferia que Salas conhece Henry Hamilton (Matt Bomer), possuidor de mais de um século. Logo Will se vê dono daquele tempo, que permite sua mudança para a zona horária da elite, onde as pessoas são virtualmente imortais. Sua atitude apressada, seu talento para o jogo e o cronômetro zerado de Henry Hamilton atraem a atenção, respectivamente, de Sylvia Weis (Amanda Seyfried), Phillip Weis (Vincent Kartheiser) e do cronometrista Raymond Leon (Cillian Murphy).

O que me chamou a atenção em O Preço do Amanhã, antes de mais nada, foi exatamente este conceito de “Tempo é Dinheiro”. Este conceito me intriga deste outro filme, com Christopher Lambert (o Highlander), chamado Absolon. Diferente deste, no entanto,  a noção de tempo como moeda de troca transcende os ganhos financeiros e ganha contornos políticos. Não só o rico torna-se virtualmente imortal, a vida do pobre é encurtada economicamente, por meio de aumentos abusivos nos custos dos bens de primeira necessidade, ou nas taxas de empréstimo bancárias.

Vendo o filme, me fascinou a estranheza de ver tantos personagens eternamente jovens. Com o envelhecimento interrompido geneticamente, o homem pode ter 25 ou 150 anos e terá a mesma aparência, numa evidente exasperação do que vemos hoje como a ditadura da beleza e do eterno mito da fonte da juventude. O resultado é, no mínimo, bizarro.

Relações que parecem fáceis de conceber hoje em dia são abruptamente encerradas. Não se pode verificar, apenas visualmente, se o casal ao lado é de pai e filha, esposo e esposa ou avô e bisneto. Respeitáveis executivos e jovens office-boys podem possuir a mesma cara de anjo. Conforme a história se desenrola, nos acostumamos um pouco com esse estranho mundo sem cabelos brancos.  A verossimilhança é bastante auxiliada pela performance de atores como Cillian Murphy e Vincent Kartheiser, que conseguiram atribuir a seus personagens uma espécie de maturidade no olhar e um cansaço na voz, típicos de personagens passados da meia idade. O contraste entre atitude e aparência é chocante.

O filme é, acima de tudo, um thriller. Possui alguns furos, algumas explicações que ficam no ar, algumas cenas um tanto inverossímeis ou exageradas. Mas é, no todo, uma história que merecia a atenção da pena de Phillip K. Dick ou Ursula K. Le Guin, uma premissa trabalhada com qualidade por diretor e atores. Um filme que me inspirou uma resenha, coisa que não acontecia há muito tempo, e que me inspirou a buscar nas obras literárias de ficção científica um autor que tenha trabalhado a mesma premissa. Você conhece algum? Poderia me indicar?

O Preço do Amanhã

Título original: In Time

Diretor: Andrew Niccol

Roteirista; Andrew Niccol

Ano 2011

109 minutos

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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3 respostas para O Preço do Amanhã (Andrew Niccol)

  1. Bruce Torres disse:

    Na verdade, Kika, tal tema já foi usado por um autor de sci-fi que até ameaçou processar o estúdio que fez esse filme: Harlan Ellison, que escreveu o conto “‘Repent, Harlequin!’ Said the Ticktockman”, onde o tempo é controlado pelo mencionado Ticktockman, que está às voltas com um criminoso que nunca faz as coisas no tempo certo, o Harlequin.

    • Kika disse:

      como vc descreveu não parece ser exatamente a mesma coisa… o tempo corre igual ´pra todo mundo no filme, o “controle” é mais do tempo disponível nos relógios das pessoas…

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