The man who would be King (Rudyard Kipling)

Rudyard Kipling, britânico de origem indiana, é poeta e um reputado escritor de contos. Mais conhecido por essas bandas como o autor de Mogli (O livro da selva), foi um dos autores mais populares de sua época, laureado com um Nobel de Literatura em 1907. Seu conto The man who would be king – mais um dos que conheci através da lista de contos essenciais da revista Bravo! é uma bela demonstração da força narrativa de Kipling.

Este conto é narrado em primeira pessoa por um jornalista. Conta a história de dois amigos, Daniel Dravot e Peachy Carnehan. O jornalista conhece Daniel dos amigos na classe econômica de um trem, em viagem pela Índia. Tornam-se camaradas de viagem, trocam conselhos, e por fim o novo amigo pede ao narrador um favor. Como não conseguirá enviar um telegrama, Daniel pede que seu novo amigo mande um recado a um conhecido. Um senhor com uma barba facilmente reconhecível a quem deve encontrar num outro trem. O recado é um lacônico: “Ele foi para o Sul essa semana”. ((Tradução livre de: He’s gone South for the week))

Recado passado, tempo passado, os amigos encontram o jornalista na sala da prensa do jornal em uma madrugada opressora de tão quente. Ao encontrarem o conhecido, com ele dividem seus planos de tornarem-se reis de Kafiristão, e pedem para ver alguns mapas e enciclopédias. O jornalista terá apenas mais um encontro com um dos amigos, que contará uma história um tanto bizarra, envolvendo lutas e mortes e uma ditadura, numa tribo distante e desconhecida.

A prosa de Rudyard Kipling em The man who would be king engaja o leitor como um grupo de amigos num bar se engaja na conversa de um bom contador de causos. Ele entrega a histórias aos poucos, deixando-nos divagar sobre os detalhes antes de passarmos para o próximo tópico. As sensações físicas do narrador são elaboradas de maneira a transmitir ao leitor a mesma sensação, ainda que ele fale de um calor de colar a camisa e o leitor esteja em meio ao inverno curitibano.

O tom da narrativa tem ainda uma qualidade jornalística, levemente sensacionalista, exagerando características físicas dos protagonistas, ou da época, ou do lugar, com o intuito de deixar a história mais, digamos, apetitosa. É uma narrativa feita para deslumbrar, para apresentar o lado mais exótico de uma região àqueles que não a conhecem. As descrições são vívidas e a história é dotada de certa estranheza, deixando o narrador e o leitor confusos quanto à sua verossimilhança.

Mas encoberto por todo esse deslumbramento há também uma discussão política bastante séria sobre a disseminação de uma cultura em detrimento de outra a partir da supremacia tecnológica, principalmente armamentista. Este conto, baseado na vida de alguns aventureiros do século XIX, é bastante conhecido e inspirou autores como T. S. Eliot, H. G Wells ou mesmo músicos como Bruce Dickinson, do Iron Maiden. A obra foi adaptada para o cinema em 1975, tendo como protagonistas ninguém menos que Sean Connery e Michael Cain. Foi, para mim, uma excelente porta de entrada para a obra de Kipling.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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Uma resposta para The man who would be King (Rudyard Kipling)

  1. Bruce Torres disse:

    Apesar de gostar desse conto, eu recomendo que leia também “At the end of the passage”, que lembra um tanto o Conrad com seu “O Coração das Trevas”.

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