O fantasma inexperiente (H. G. Wells)

É um sábado qualquer no Mermaid Club quando Clayton resolve contar sua história aos amigos. Estão todos reunidos em volta da lareira, aproveitando um momento de preguiça que se segue uma boa refeição, Clayton passara a noite no clube, e este é o ponto de partida de sua história. Conta ele aos amigos, dentre eles o narrador deste conto, que nesta noite encontrou um fantasma. Cercado por olhares incrédulos e perguntas sarcásticas, segue seu relato com certa tranquilidade e naturalidade, que o narrador pensa ser seu modo de enganá-los.

Eis que Clayton diz ser este um fantasma único, que guardara traços de seu ser terreno, um fantasma fraco, sem talentos fantasmagóricos e ulteriormente vítima das más companhias espectrais. Parece-lhe que a aparição é inexperiente no ofício, e sua longa conversa com ele só comprova a teoria. Caso é que para sair daquele clube, lugar tão propício a uma assombração, com seus corredores sóbrios e painéis de madeira nobre, o inexperiente fantasma deve performar uma espécie de dança. Uma sequência de movimentos únicos numa ordem predeterminada, que o coitado não consegue reproduzir.

Guiado por seu novo amigo mortal, a alma penada finalmente atinge seu objetivo, deixando Mermaid Club. Neste ponto da anedota, as atenções se voltam à Clayton, que com sua prosa tranquila arrebanhou a atenção dos companheiros. O que acontece a seguir leva a um final bastante curioso para uma história de fantasmas. Um ponto que não poderia negar ao leitor o prazer de descobrir sozinho.

Cheguei até esse conto através de meu projeto pessoal, na listagem dos 100 contos essenciais da revista Bravo! e da discussão gerada por ele no Clube de Leitura do Meia Palavra, e me surpreendi. Afinal, H. G. Wells ficou conhecido por suas obras de ficção científica. Seja com Guerra dos Mundos, ou a Máquina do Tempo, a temática do futuro sempre esteve atrelada a este nome, na minha leiga concepção, ainda que do autor eu ainda não tivesse lido palavra. Foi um prazer e um susto que meu primeiro contato com a obra deste autor tenha sido uma clássica história de fantasmas.

Tudo ali sugere o tempo presente para o autor. A reunião do grupo de amigos num clube de cavalheiros, o colega recém chegado de uma viagem aos Estados Unidos, o tom da chacota direcionada a Clayton. Não há uma geringonça animada, um ataque alienígena. É uma história de fantasmas, ponto. E essa simplicidade é cativante, numa história curta com poucos personagens e um enredo bem delineado me deixaram saudavelmente curiosa sobre o restante de sua obra. O fantasma inexperiente é uma daquelas histórias para contar dentro de uma barraca de acampamento, com a lanterna apontada para o rosto.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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