Uma princesa de Marte (Edgar Rice Burroughs)

Publicado em 1917, Uma princesa de Marte, obra de Edgar Rice Burroughs – mais conhecido por ser o criador de Tarzan – é o primeiro livro de uma série conhecida como “romances barsoonianos”. Conta a fantástica história de John Carter, homem extraordinário que diz possuir mais de 100 anos e permanente aparência de uma pessoa de 30.

Ao perder o amigo num encontro com os apaches nos idos de 1866, refugia-se numa caverna no Arizona. Após ser acometido de uma inexplicável paralisia, separa-se de seu corpo e é atraído pela estrela vermelha no horizonte.

John Carter acorda em Marte. Numa paisagem inóspita, tomada por um estranho musgo, ele percebe os efeitos de uma gravidade menor ao tentar caminhar. Como resultado: longos e impossíveis altos pulos. Enquanto ensaiava seus primeiros passos, Carter é interpelado e levado prisioneiro por uma tribo de estranhos seres reptilianos e verdes, de rostos inexpressivos.

Por conta de sua força e capacidade de pular, Carter acaba se tornando uma espécie de prisioneiro-líder e recebe os cuidados de uma fêmea chamada Sola e um estranho cão de guarda chamado Woola. Seus captores, os tharks, estão em permanente guerra com as demais tribos de sua espécie e também com os homens vermelhos, raça humanoide à qual pertence a princesa de Marte do título.

Conhecendo este mundo estranhamente novo e familiar às apalpadelas, John Carter vai montando um retrato de Barsoom, o planeta que chamamos de Marte. Somos apresentados aos usos e costumes dos tharks enquanto ele é educado por Sola, costumes que envolvem uma distinta hierarquia baseada na força.

Descobre com Sola e através das viagens que acaba fazendo que Barsoom é um planeta moribundo, que possui uns poucos rios, apenas duas espécies de mamíferos, um planeta cujos mares secaram. Fica fascinado pelo comportamento de suas duas luas. Com a princesa, tornada prisioneira dos tharks, descobre que o planeta possui um conhecimento avançado de física e astronomia, além de maquinários e equipamentos de ponta. John Carter passa dez anos no planeta vermelho e nos apresenta suas “impressões de viagem”.

Ou assim nos quer fazer crer Edgar Rice Burroughs ao incluir marotamente um prefácio no qual diz ser testamenteiro de seu tio John Carter, a quem foi designado tal manuscrito. A narrativa em primeira pessoa, por um homem e um soldado, é bastante convincente. São impressões de um homem guerreiro sobre um planeta em guerra, mas também as impressões de alguém com sentimentos e sensibilidade para perceber que está num mundo desolado, onde um sentimento pode ser sinônimo de fraqueza.

Uma princesa de Marte nasceu como uma pulp fiction (ficção de polpa). As agruras de um homem perante o desconhecido. Repleta de conflitos e reviravoltas, faz jus aos melhores filmes de aventura disponíveis. E sim, eu falei filmes. Apesar de todas as implicações e questões filosóficas que podemos levantar na leitura, o livro se lê com o ritmo de um filme de aventura.

De leitura rápida e acessível, apesar de em alguns pontos o texto (ou a tradução) deixar um pouco a desejar, Uma princesa de Marte é daqueles livros que me dão vontade de ter lido na época de seu lançamento quando, imagino, seu impacto seria muito maior. O fato é que estamos sobrecarregados de histórias de alienígenas na cultura pop. E Edgar Rice Burroughs inspirou várias dessas obras.

Por isso, a quem for se aventurar com a obra de Burroughs – o que sugiro que faça, sim – leve em conta que Uma princesa de Marte foi escrito muito antes de Marte Ataca, Independence Day ou Avatar. Tente ver o mundo pelos olhos de John Carter como se fosse a primeira vez. A diversão é garantida.

UMA PRINCESA DE MARTE

Edgar Rice Burroughs

Tradução: Ricardo Giassetti

272 Páginas

Preço sugerido: R$ 29,93

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Editora Aleph

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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