The Artist

O Oscar de 2012 foi inédito para os franceses. O primeiro francês a ganhar como melhor filme, o primeiro francês a ganhar o prêmio de melhor ator. E por um filme mudo (ou quase) e em preto e branco. The Artist realmente deu o que falar. Todo esse zumzumzum em torno do filme me deixou mais curiosa do que o normal. Torci instintivamente para o longa tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar. Talvez por ser um filme francês. Talvez por Jean Dujardin e Bérenice Bejo serem tão charmosos.

Todas as entrevistas, fotos, prêmios, somados ao aparente anacronismo de um filme mudo e em preto e branco em pleno século XXI, onde os efeitos especiais e a tecnologia 3D estão em voga, fizeram de The Artist um filme imperdível. Não preciso dizer que as expectativas estavam altíssimas quando finalmente fui assistir ao filme. Eu não me decepcionaria.

The Artist conta a história de Georges Valentin, célebre ator do cinema mudo. Quando seu estúdio resolve adotar a tecnologia do filme falado – a revolução do cinema, que inspirou filmes como Cantando na Chuva – Georges Valentin se recusa a aceitar a modernidade. Em seu lugar, Peppy Miller, uma novata e aparentemente fã de Valentin, conhece uma carreira meteórica. Ele, por  outro lado, vê sua vida entrar em declínio. A história em si é bastante simples. Não há reviravoltas exatamente inesperadas, o casal romântico está lá e é exatamente o que se espera dele.

O que encanta na história contada por Michel Hazanavicius é a forma como é contada. O charme das câmeras de 35mm, a elegância do preto e branco e dos figurinos, a imagem de uma Hollywood glamourosa ao som de uma orquestra. A técnica escolhida pelo diretor leva diretamente a uma espécie de nostalgia, de quando o cinema “era grande” (foco nas aspas). Mais que a técnica, no entanto, contam os pequenos detalhes que deixam claro que este é um filme do século XXI. Seja pelos momentos estratégicos em que o som ambiente é incorporado à ação, que chegam a causar estranheza, seja por uma atuação menos caricata, esses pequenos anacronismos fazem deste um filme único, uma verdadeira obra de arte.

E as atuações são excelentes. Jean Dujardin incorporou perfeitamente o personagem, seu figurino feito sob medida para acompanhar sua trajetória, seus maneirismos um ímã da atenção do espectador. Bérenice Bejo é um pouco mais caricata, mas igualmente encantadora. O filme ainda é recheado de atores hollywoodianos de feições clássicas, que ajudam a entrar no clima da história.

E este entrar no clima da história é bem o que o diretor disse em uma entrevista para a Folha Ilustrada: “[…] É uma nova experiência para a plateia de hoje, funciona com outra parte do cérebro. Você preenche o som com sua própria imaginação”. E, em outro momento da mesma entrevista: “Há algo meio infantil, você olha como se fosse a primeira vez”. É, em resumo, um tipo de filme que não cansa, já que cada vez que assistimos nossa imaginação o altera.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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3 respostas para The Artist

  1. Liv disse:

    Esse Dujardin é TÃO o meu número! Hahaha

  2. andre disse:

    um filme como este desperta muito a curiosidade. verei em breve, espero. mas pra mim oscar e outras premiações são favas contadas.

  3. **Maniaca do Miojo** disse:

    Eu gostei do cachorrinho, que amigo ele é 😀

    É linda a cena que atriz coloca a mão no terno do Valentin, imaginando que ele tivesse abraçando-a ^^

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