O Estado como obra de arte (Jacob Burckhardt)

O Estado como obra de arte  foi publicado pela primeira vez em 1860 e é originalmente a primeira parte do livro A cultura do Renascimento da Itália.  Por obra de arte o autor entende por ““produto da reflexão, criações conscientes, embasadas em manifestos e bem calculados fundamentos”, ou seja, pensado desde sua estrutura às suas consequências, sendo que a visão do estadista como artista é mais presente e facilmente denotada nos governos despóticos, mormente os que floresceram na Itália dos séculos XIII a XVI.

Jacob Burckhardt, historiador suíço, nos mostra um panorama extenso das classes e famílias governantes na Itália deste período, cujas ações permitiram ou mesmo fomentaram a era de ouro da arte, conhecida como Renascentismo, em contrapartida do sistema feudal tradicional. Entre Viscontis, Médicis, Sforzas, d’Estes e Borgias, despontam personalidades como Castiglioni e Maquiavel, pensadores políticos que puseram em palavras atos e estratégias de famílias poderosas de seu tempo, muito além de suas obras mais famosas.

Encontramos ainda grandes artistas per se como Rafael, Donatello, Michelangelo e Leonardo da Vinci; artistas que floresceram graças ao mecenato destes estadistas e tiranos.  Mas, mais que a arte em si, Jacob Burckhardt mostra as dinâmicas usadas por estes estadistas para coisas como controle da população, arrecadação de moeda, distribuição de víveres e controle imobiliário. Cada um dos nomes citados pelo autor (e são muitos) possui uma forte característica administrativa, que ajudaram a moldar o que chamamos de estado moderno.

 O texto é bem escrito e segue uma linha lógica de raciocínio, mas me pareceu um tema demasiado amplo para lidar em apenas 100 páginas. Por outro lado, ainda que o autor deixe claro se tratar apenas de um ensaio e, como tal, tratar do tema superficialmente, é impressionante a quantidade de informações que se encontram nestas páginas.

Imagino que, o livro seja direcionado para aqueles que já conhecemos regimes despóticos da Itália medieval e seus mecanismos, bem como seus personagens. Como não estudei o Renascentismo por seu conteúdo político – e depois de ler O Estado como obra de arte me arrependo enormemente por isso –  a argumentação do autor me pareceu um tanto confusa.

Notei que a argumentação do autor é, sim, bastante clara no momento que o livro abordou um tema cujo pano de fundo político eu conhecia, como os papado de Alexandre VI e a família Borgia. E por isso acho que não aproveitei tudo o que esta obra tem a oferecer. Mas se o objetivo do autor era chamar a atenção para esta época política na Itália, seu objetivo foi em mim alcançado. Esta leitura me atiçou a vontade de mergulhar na história destas famílias, o que por si só fez a obra valer a pena.

ESTADO COMO OBRA DE ARTE, O

Jacob Burckhardt

Tradução: Sergio Tellaroli

128 Páginas

Selo: Penguin

Preço sugerido: R$ 10,90

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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Uma menina com histórias pra contar...
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Uma resposta para O Estado como obra de arte (Jacob Burckhardt)

  1. Luara disse:

    Estou achando ótima essa ideia de publicarem capítulos importantes dos livros em edições menores (e mais baratas)… Parece que a Rocco também está fazendo isso com pequenas novelas, acho que a coleção chama “Novelas Imortais”, alguma coisa assim. Encomendei “O Homem da Areia” mas ainda não chegou.
    Enfim, acho que deve ajudar bastante também pro pessoal que está na graduação e precisa começar a montar a sua biblioteca.

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