A letra escarlate (Nathaniel Hawthorne)

Hester Prynne, acusada de adultério e mãe de uma bela menininha bastarda, é condenada a vestir o símbolo de sua vergonha à vista de todos, na forma de uma letra A de cor escarlate e finamente bordada em seus meses na prisão.

Não se sabe se seu marido ainda está vivo. O nome do amante é um segredo que Hester não está disposta a revelar nem sob as ameaças de seus carrascos.

A história de A letra escarlate, já resenhada aqui pelo Pips, se passa na cidade de Salém (a mesma das bruxas), na época em que os puritanos ingleses buscavam refúgio na então chamada Nova Inglaterra. Nathaniel os pinta com cores sombrias, olhares soturnos, mas com um gosto secreto por pequenos luxos. Luxos estes representados em larga escala pelos magníficos bordados da proscrita.

Hester também se veste com sobriedade, apesar da magnificência de seu A escarlate bordado com debruns dourados. As cores da Salém de Nathaniel Hawthorne parecem se dividir entre as luxuriantes paisagens do Novo Mundo e Pearl, a filha de Hester, símbolo de seu pecado, a menina-fada. Pearl é descrita como uma força da natureza, mais do que humana, um tanto selvagem.

Os preceitos puritanos ganham forma humana em Arthur Dimmesdale, um dos pastores da cidade, um jovem de reputada santidade e cuja paixão pelos preceitos religiosos e extrema sensibilidade transparece em cada sermão. O exótico Novo Mundo vem com o misterioso médico Dr. Robert Chilingworth, que, convivendo com os índios, aprendeu sua arte e se torna respeitado na cidade. Não é preciso dizer que ambos estão envolvidos na história de Hester.

Temperada com personagens reais e precedida por um texto quase 100% autobiográfico do autor chamado “A alfândega“, somos quase levados a acreditar que Hester e sua letra são reais. O autor trabalha com maestria o tecido da realidade, adornando-o com um tanto de fantasia enganadoramente realista, como os bordados de sua heroína.

A história é toda marcante por seu caráter humano. As paixões e sentimentos são perfeitamente retratados, que nos leva a crer que a única coisa que impede o leitor de desmoronar é a força de caráter e o orgulho de Hester Prynne. Talvez por isso A letra escarlate seja considerado um dos precursores do romance psicológico, no qual o que se passa dentro da cabeça de seus personagens é mais importante do que os “fatos”.

Editado pelo selo Penguin-Companhia, A letra escarlate vem acompanhado do prefácio original e de um elucidativo posfácio de Nina Baym. São extras que permitem um melhor entendimento da obra, à luz da vida do autor e de seu tempo. Não que sua leitura dependa deles. Não é a toa que  a obra ganhou seu espaço entre os clássicos. A história é atemporal, vez que trata do âmago do ser humano e, sobretudo, muito bem escrita.

A LETRA ESCARLATE

Título original: The Scarlet Letter

Tradução: Christian Schwartz

336 Páginas

Preço Sugerido: R$ 27,00

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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