Madame Bovary (Gustave Flaubert)

 Considerado um dos grandes marcos do realismo e a obra prima de Flaubert, Madame Bovary tem por objetivo ser uma obra extraordinária sobre uma situação banal. É a história de um casal burguês – Emma e Charles Bovary – que vivem numa cidade pequena, rodeados de vizinhos estereotípicos.

Emma é uma mulher de personalidade romântica e se entedia enormemente com sua casa, seu marido, sua vida. Charles é um homem de hábitos e gostos simples, de inteligência e habilidade medianas, nem feio nem bonito, enfim, sem nada de especial.

Os vizinhos representam a vida burguesa, há Homais, um farmacêutico/jornalista de palavras complexas e conhecimentos superficiais; Sr. Binet com seu torno; Sr. Lheureux, o agiota inescrupuloso; a dona de taberna fofoqueira, o jovem e atrapalhado estudante.

Emma, cansada de sua vidinha provinciana e sem acontecimentos, resolve transformar seu mundo num romance, e busca a paixão livresca em amantes.

O que faz de Madame Bovary um clássico não é a história, mas como ela é contada. Cada frase tem um significado, e foi cuidadosamente pensada pelo autor, o que se demonstra pelos vários e vários rascunhos disponíveis no site http://www.bovary.fr/. Flaubert faz praticamente um estudo psicológico de cada um de seus personagens, e os torna reais e realistas, sem julgá-los, ou melhor, deixando o julgamento a cargo do leitor.

E eu, como leitora, me diverti muito julgando as personagens. Tanto que em um ponto não consegui distinguir meus julgamentos das descrições do autor. Cada um dos personagens tem uma voz própria, bem especificada por vícios de discurso ou desvios de personalidade. Chega-se a ver o sorriso malicioso de Rodolphe quando decide cortejar a jovem senhora romântica, ou sentir o ar arrogante que Léon ganha após uma temporada em Paris.

Devo dizer que minha leitura foi bastante enriquecida pelos “extras” desta edição Penguin-Companhia das Letras. São dois longos prefácios, além de uma apaixonada defesa da obra por ninguém menos que Charles Baudelaire. Caso você não esteja familiarizado com a história do livro e não goste dos famigerados “spoilers”, sugiro que siga o conselho do próprio editor e leia estas introduções DEPOIS de ler a obra.

Por outro lado, eu (e minha mania de começar o livro na primeira página e ler até a última nesta ordem) li as introduções antes e não me arrependi. Com esses estudos da obra pude acompanhá-la melhor, prestar mais atenção aos detalhes que normalmente deixaria passar despercebidos. Quando terminei, retornei aos “extras” e foi quase tão bom quanto ler o livro novamente. Os comentários ganharam outra cor, e por pouco não releio todo o livro de novo, para notar os demais detalhes. Um livro para reverenciar e ao mesmo tempo perder o medo dos clássicos.

Madame Bovary

Gustave Flaubert

Tradução: Mario Laranjeira

Apresentação: Charles Baudelaire

Prefácio: Lydia Davis

Introdução: Geoffrey Wall

496 Páginas

Selo: Penguin-Companhia

Preço Sugerido: R$ 29,50

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

Anúncios

Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
Esse post foi publicado em Literatura, Resenhas e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Madame Bovary (Gustave Flaubert)

  1. Pingback: Links da semana « Blog da Companhia das Letras

  2. Pingback: EdUNEB – Editora da UNEB » Blog Archive » Links da semana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s