A Christmas Memory (Truman Capote)

A Christmas Memory é um conto de cunho autobiográfico, que remete à infância de Truman Capote (Buddy) nos poucos anos que passou no Alabama, onde formou um precioso vínculo com Nanny Rumbley Faulk, a quem chamava de Sook. Foi publicado pela primeira vez na revista Mademoiselle em 1956, e republicado em 1963 e 1966, e aparece ainda hoje em antologias e listas, como a da Bravo!, que tenho usado para me nortear nesse mundo dos contos.

É novembro. O tempo começou a esfriar e para  Buddy e sua melhor amiga é tempo de Bolo de Frutas. Buddy tem 7 anos, sua melhor amiga é uma prima distante, uma senhora de sessenta e poucos, mas com espírito infantil. Juntos eles se preparam o ano inteiro para a estação das festas, para o Natal. A amizade deles é simples, baseada no profundo conhecimento mútuo e a confiança um no outro. A história se passa nos anos 30, em meio Lei Seca, numa casa familiar de uma cidade do interior (provavelmente nos Estados Unidos). Buddy e sua amiga não são os únicos a habitar a casa, apesar de parecer que sim.

A história em si é simples, e até mesmo prosaica. E resumi-la em poucas palavras seria um pecado. Não se trata de fazer bolos de frutas ou de se preparar para o Natal. Fala de amor, de um relacionamento sincero, uma amizade preciosa. Posso parecer piegas, e talvez o espírito natalino tenha me absorvido, mas me emocionei enormemente com o Natal de Buddy e sua amiga, da felicidade que um encontrou no outro. E isso sem recorrer à religião ou aos textos de cartão de Natal da Hallmark. O narrador, Buddy, simplesmente divide com o leitor sua memória daquele Natal, de todo o ritual que envolveu a preparação dos bolos de frutas, da escolha e troca de presentes num inverno frio de sua infância.

Não é nada mais que isso, mas é muito mais que isso.  A singeleza do conteúdo é magistralmente trabalhada pelo autor, através da escolha das palavras, das frases, das descrições. Nos vemos naquela casa, contando as moedas para comprar os ingredientes do bolo, cozinhando, dançando pela sala e até sendo repreendidos por “Aqueles que sabem melhor”. Queremos dividir nossas alegrias com esses dois amigos, celdebrar uma ceia de Natal com eles, presenteá-los. Somos, na verdade, presenteados pela história, que sem moralizar a época de festas dá-lhe um sentido, um porquê.

Uma excelente pedida neste domingo de Natal, para degustar depois dos presentes abertos e da confraternização familiar. Boas Festas!

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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