La boîte a Pensées: Ler em outros idiomas

Dois mil e onze foi um ano de leituras desafiadoras. Dediquei boa parte do meu tempo de leitura a autores clássicos, alguns que eu sempre quis ler mas “não tinha tempo” (vide coluna da Anica), outros de quem tinha medo de não gostar/não entender. Resolvi começar por contos, e para isso me norteei pela lista da Bravo! para meu pequeno projeto literário (ainda incompleto). Foi também um ano de aprendizado. Me dediquei ao alemão, fui a Paris melhorar meu francês e li, muito mais do que nos anos anteriores, obras em inglês, francês ou espanhol.

Eu acho que aprender um idioma é abrir-se para uma nova cultura. Seja na internet, com blogs, vídeos, redes sociais. Na mídia, com filmes e programas de TV, e na leitura, e aqueles famigerados ótimos livros que não chegam traduzidos por aqui. E eu sou curiosa por natureza E criação. Os livros me fizeram assim. Mas, mesmo tendo estudado inglês, francês, espanhol e – agora – alemão, não sou uma expert em nenhum desses idiomas. Adquiri uma certa naturalidade em ler inglês ou francês, idiomas com os quais tenho mais contato, mas mesmo assim há muito neles que ignoro. E é por isso que livros em inglês, espanhol ou francês, são livros que li com mais atenção. Levo mais tempo, reflito mais, dependo mais de dicionário, essas coisas.

E há algumas coisas que me vi fazendo em TODAS as leituras em idioma estrangeiro, que quero dividir com vocês:

1. Leitura instrumental: Aprendi, com minha professora de inglês do terceirão, a tentar descobrir o significado de uma palavra desconhecida pelo sentido da frase. É uma técnica conhecida, chamada de “idioma” instrumental. Consiste em ler a frase ou o parágrafo no qual a palavra está inserida com bastante atenção, e fazer sua análise morfológica e sintática . Muito difícil? nem tanto. Eu tento primeiro descobrir qual a função da palavra na frase: É sujeito? verbo? adjetivo? advérbio? Uma vez definido isso, uso o que já sei do idioma para tentar descobrir a raiz da palavra, se ela se assemelha a qualquer outra conhecida. Se mesmo assim a frase não fizer sentido, e só então, eu recorro aos dicionários.

2. Dicionários: Quando leio em outro idioma, me esforço ao máximo para ler PENSANDO naquele idioma. Por isso eu evito os dicionários “tal idioma” – português; e dou preferência aos dicionários “tal idioma”-“tal idioma”. Nele, mais do que o clássico “tal palavra em inglês igual a tal palavra em português”, eu tenho uma explicação para a palavra, muitas vezes sua etimologia, e meu entendimento é melhorado. Na internet eu uso o TV5 para o francês, o LEO.org para o alemão e o Dictionary.com  para o inglês. Físicos eu tenho o Petit Robert para o francês e um bom e velho Oxford para o inglês. Para o espanhol, eu uso o Google, mas busco artigos sobre a palavra ou expressão, e não sua tradução diretamente. Pode parecer mais difícil, mas assim eu sinto que aprendo mais, e aproveito melhor a leitura. Por outro lado, se cheguei à conclusão de que a palavra é um objeto, ou cor, eu não procuro no dicionário. Eu vou no Google Images.

3. Google Images. Adquiri o hábito de buscar referências visuais para as palavras, mais que seu significado. Ligar uma palavra a uma imagem é praticamente uma volta à infância, quando aprendíamos nosso idioma materno desenhando, ou apontando para uma imagem num livro colorido. Talvez não me transforme numa tradutora de sucesso, mas “ver a palavra” me ajuda bastante no entendimento da coisa. O Google Images me ajuda muito a conhecer armas medievais, flores, árvores, cores. Na falta dele, tenho um dicionário visual da SBS, muito interessante.

4. Pronunciar frases difíceis. Volta e meia me vejo murmurando o texto que estou lendo. Ler em voz  alta me ajuda a relembrar os fonemas menos utilizados no português, e também a diferenciar palavras de escrita parecida. Se é um personagem falando, tento simular sua entonação. Pareço uma louca quando leio no ônibus, mas ouvir além de ler melhora meu entendimento do todo.

Ler em outros idiomas me faz lembrar do quanto ainda tenho que aprender, o quanto o caminho é longo. É uma aventura, e uma das que eu mais me divirto realizando…

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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2 respostas para La boîte a Pensées: Ler em outros idiomas

  1. Júlia disse:

    Ótimas dicas!
    Para o francês minha professora encontrou num sebo, por dez reais, um Petit Larousse de francês para francês, ilustrado que ajuda bastante.

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