La boîte à Pensées: Maisons des Illustres

Eu sou daquelas que liga a história aos lugares. Desde nova, vou a museus mais pela arquitetura do lugar do que pelas obras, e sou particularmente fã dos museus que antes eram casas de alguém. Um exemplo, aqui em Curitiba, é o Museu Paranaense, que foi a casa de um barão, depois prefeitura, etc. Me agrada a história do lugar e imaginar a vida das pessoas naquele lugar, onde nasceram, passaram seus primeiros anos, cresceram e tiveram suas famílias, é algo que verdadeiramente me emociona. Como o leitor da minha coluna já deve saber, esse ano visitei a casa que Alexandre Dumas construiu,  o Chãteau Monte-Cristo, e o Café de Flore, onde Sartre e Beauvoir iam para escrever.

Visitar a casa de um artista, um ator, escultor, pintor, principalmente se essa casa foi preservada e transformada em museu, é uma viagem ao passado. A casa de Dumas possui primeiras edições de livros, folhetos originais das apresentação das peças teatrais, uma bela sala marroquina, tirada da imaginação de Dumas e inspirada na sala do Conde de Monte Cristo, móveis originais, incluindo a louça com que ele recebia seus amigos em variados banquetes. No Chateau d’If, o pequeno escritório de trabalho, cujo prédio tem pedras com os nomes de suas obras, ainda está a cadeira na qual ele trabalhava, sua mesa, o tinteiro. Há ainda roupas, cartas, quadros, enfim… uma miríade de lembranças da vida deste grande homem.

Não preciso dizer que a visita à casa de Dumas foi um dos momentos mais mágicos da minha viagem. Saber que ele sentou naquela cadeira para escrever, que concebeu aquele prédio de arquitetura estranha, pisar o chão que um dia o cara pisou e, o melhor de tudo,  fazê-lo praticamente sozinha, é algo que levarei pro resto da vida. Tiete eu? Pois é…

Mas Dumas não é o único artista a ter sua casa transformada em museu, pronto para visitação e bocas abertas de seus visitantes. Na França e região, há tantos lugares assim que o Ministério da Cultura francês criou um SELO, chamado Maisons des Illustres“, para condecorar as casas de artistas abertas à visitação que realmente celebram a vida e a obra que quem lá morou. Para quem, como eu, é louco por artes e cultura francesa, é uma alegria saber que, hoje, 111 casas possuem o selo, entre elas, as casas de Jean-Jacques Rousseau,  Jules VerneMichelet, a Villa de Marguerite Yourcenar, Voltaire, Stendhal, Goethe, Montesquieu, Rabutin, Alphonse de Lamartine, Honoré de Balzac, Rabelais, Proust, George Sand, Rimbaud, Flaubert, Victor Hugo, Émile Zola.

É uma dica perfeita para o viajante-leitor. O leitor curioso, aquele que se identifica com o autor, ou aquele que tem aquela curiosidade stalker, a sensação é de viver um pedaço da vida do ídolo. Entenda, boa parte destas casas não ficam lotadas de turistas, o que permite uma visita intimista. Como um adendo, lembrando que hoje é aniversário de Louis Daguerre, o criador do Daguerreótipo, um dos inventores da fotografia, a cidade de Bry sur Marne possui uma grande coleção das obras deste grande inventor. Continuando na fotografia, outra visita interessante deve ser Lyon e a casa/museu dos Irmãos Lumière sobre quem ainda falarei neste meu espaço.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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