Nightfall (Isaac Asimov)

Mais conhecido por sua trilogia da Fundação e seus dogmas robóticos, Isaac Asimov é reconhecidamente um mestre da ficção científica. E, como muitos outros, alguém cuja obra ainda não tinha lido. Aproveitei um projeto pessoal de ler mais contos para me aproximar deste gigante. E não me decepcionei. Em Nightfall (Ao cair da noite), Lagash é um planeta com seis sóis, que não conhece a noite. Chegamos na história a poucas horas de um evento conhecido por encerrar um ciclo de humanidade, e com ele todo seu conhecimento e tecnologia.

O Culto entende como uma espécie de Juízo Final, mas astrônomos renomados (e chacoteados pela mídia), através de uma intrincada teoria gravitacional,  chegaram à conclusão de que a Escuridão é um eclipse de um dos seus sóis, quando todos os outros se põem, dando lugar a 12 horas de escuridão total. A existência de Estrelas (parte fundamental do Culto) resta como lenda.

A perspectiva dos acontecimentos se dá pelos olhos de Theremon 762, jornalista, cuja missão é cobrir o tal do eclipse no Observatório. Cético, Theremon está mais interessado no ridículo da história, caso provada falsa.  Enquanto os astrônomos o vêem com desprezo e desconfiança, Sheerin aceita conversar. Sheerin é psicólogo, e descreve os efeitos da Escuridão para os lagashianos, um efeito que chama de claustrofobia. Os cientistas estão mais preocupados em juntar suficiente material para que o próximo ciclo saiba se preparar para este eclipse que certamente se seguirá.

A discussão toda nos faz pensar nos paralelos entre religião e ciência, no quanto uma depende da outra, e quanto de uma está na outra. Os preceitos religiosos do Culto em Lagash tem sua origem num acontecimento astronômico, e dentre toda a sociedade, parece ser o único grupo a conseguir transmitir informações de um ciclo para o próximo; objetivo que os astrônomos agora perseguem. Para chegar às conclusões de sua Teoria Gravitacional, que levou à predição do eclipse, os astrônomos precisaram destas informações.

E Isaac Asimov consegue, em apenas 20 páginas, criar todo um universo, com leis físicas próprias, tão complexo que nos leva a questionar algumas de nossas estruturas na Terra, assim como nossas verdades científicas. Lagash vê o mundo com as lentes de seu próprio universo, sua própria existência e, como nós, não consegue conceber vida num mundo estruturalmente diferente de seu próprio. Nightfall pode ser considerado um aviso de “mantenha a mente aberta”, pois o universo é muito maior do que podemos ver com nossos olhos e nossa tecnologia.

E mesmo tendo sido escrito em 1941, este conto não perdeu sua qualidade artística, ou sua relevância.  É um conto que entretém, mas também ensina. Um extrato da genialidade deste mestre da Ficção Científica e a prova de que uma boa história não precisa de muitas páginas.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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2 respostas para Nightfall (Isaac Asimov)

  1. Luara disse:

    Fiquei super curiosa para ler! Onde está esse conto?

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