La boîte à Pensées: Paris 2011 (segunda semana)

Continuando minha “saga parisiense“, eis minha segunda e última semana na Cidade Luz. Prometo que, depois disso voltaremos à programação normal. Imagino que viajar para o exterior seja uma aventura para todos. Não só o idioma é diferente e, acreditem, o fato de ser entendido falando esse idioma é altamente satisfatório e por si só vale todo o investimento num curso de idiomas, como a cultura também é outra. Um exemplo. Em Paris, quem quer ficar parado na escada rolante deve ficar do lado direito, para dar passagem aos apressadinhos… Não que eu tenha me sentido muito deslocada por lá. Um dos momentos mais memoráveis em sala de aula para mim, foi minha professora falando sobre o Parisiense estereotípico. A descrição é exatamente igual à do Curitibano estereotípico. Esta segunda semana serviu para conhecer um pouco mais da cidade não como turista, mas como local.  Para começar:

Domingo (07/07/2011): Dia de lavar roupa, ir no mercado e descansar os pés. Neste ponto, já estava chamando o hotel de casa. Foi minha primeira vez numa lavanderia automática, daquelas de inserir moedas.  Passei uma hora e quarenta minutos lá, com meu livro (para o assombro da camareira).  Lavagem mais secagem me custaram 4 euros, e a roupa saiu como se passada. Detalhe para o Sabão líquido, que eu comprei no mercado, toda orgulhosa: uma caixa de Omo líquido, com 20 doses. São pacotinhos com o produto de um plástico que se desfaz na máquina de lavar, que eu queria muito ver por aqui. Aproveitei também para assistir TV (ou melhor, deixar a TV ligada enquanto almoçava/jantava). Entre realities, programas de auditório e “Un dîner presque parfait”, qual a minha surpresa ao ver que lá está passando uma novela brasileira (aquela da modelo de cadeira de rodas). E (re)descobri uma das piores coisas na TV francesa: dubladores. Não posso falar por todos os canais, mas TV aberta lá é igual aqui: TUDO DUBLADO, e MAL dublado. Chega a dar orgulho dos dubladores brasileiros.

Segunda-feira (08/08/2011): Aulinha básica. Tema da semana: a onipresente ecologia. Tema de vários debates, e muita gente nova na sala, entre eles duas brasileiras.  À tarde, os espanhóis Paula, Paula (outra), Nicolas, os italianos Gabrielle, Ricardo e Alessandra, o estadounidense Eric e eu fomos almoçar no china. Uma forma esquisita de buffet por quilo, eu diria. À tarde fui ao Triocadéro. Lá fui no Cité de l’Architecture et du Patrimoine e no Musée de la Marine Française. Ambos maravilhosos. Na Cité encontram-se réplicas em tamanho natural de estruturas de igrejas espalhadas pela França, que remontam a Idade Média. O legal é que você pode chegar bem pertinho de instalações cujo original está longe demais ou alto demais. No segundo andar, vitrais e pinturas (também reproduções) além de uma história da arquitetura e uma réplica em tamanho natural de uma unidade de habitação (estilo COHAB) na Marselha. Vale dizer que o Trocadéro proporciona uma das vistas mais lindas da Torre, cheia de árvores do jardim embaixo. O museu da Marinha é chocante. Todas aquelas figuras de proa gigantescas, as réplicas de navios de várias épocas, bem como instrumentos de navegação, quadros e tudo o mais, é algo além do que eu posso descrever. Como eu tinha esquecido a carteira em casa (saí só com o Museum Pass e o Paris Visite (metro), vim cedo para casa nesse dia.

Terça-feira (09/o8/2011): Curso de manhã, dessa vez mais gramática envolvida: De tarde saímos em bando para almoçar. Desta vez fomos eu, Paula, Paula, Alessandra, Gabrielle, Ricardo (italiano), Nicolas, e os amigos de Ricardo, Francesca, o namorado, um rapaz de Cabo Verde e uma mocinha italiana muito simpática, mas de poucas palavras. Cada um comprou seu almoço em um lugar diferente, o meu foi na Boulangerie mais próxima e almoçamos no Jardin du Luxembourg. O papo estava tão bom que lá ficamos até quase 16:00. Saí de lá e fui perambular por ali, já que o lugar que queria visitar é longe de lá e fecha às 18h. Acabei achando a LaDurée (dos macarons), a Catedral de Saint Sulpice, e o Café onde Simone de Beauvoir e Sartre trabalhavam, o Café de Flore. Adivinhem: tomei um sorvete com uma taça de vinho por lá para prestar homenagem, quoi. Depois uma caminhada pela Rive Gauche, e voltar para casa, afinal a profe mandou um MONTE de lição.

Quarta-feira (10/08/2011): Manhã, curso. Tivemos de inventar uma associação contra a poluição de alguma coisa. Foi algo de divertido. De tarde, um almoço rápido no china com Nicolas e Gabrielle, depois hop! Metrô para o 19ème Arrondissement. Destino Cité de la Science et de L’Industrie. Minha visita preferida por lá. Voltei apaixonada com o lugar. Me senti uma criança descobrindo os efeitos da luz de maneira lúdica e didática, ou do som, ou da matemática, química, transportes, energia. E nem deu tempo de ver tudo. Às 16:30 fui ver um filme em IMAX 180º no que eles chamam de La Géode. Na prática, um cinema dentro de um globo gigantesco. O filme um documentário sobre o Hubble, e ver uma nebulosa naquela tela não tem preço. Na volta, paradinha na Rua Rivoli para comprar uma mala para levar meus livros de volta (e outra bolsa, porque a minha arrebentou) janta no Café de l’Empire, e outra primeira vez: Crème Brûlée. O dia só não foi mais perfeito porque me desencontrei da minha amiga que veio de NY para cá essa semana.

Quinta-feira (11/08/2011): Dia de encontrar a amiga que mora em NY. Eu tenho tendência a exportar melhores amigas. Minha melhor amiga de colégio hoje mora em Amsterdam, minha melhor amiga (até hoje) mora em Nova York e minha melhor amiga da faculdade casou e se foi para Guarapuava. Encontrar esta minha amiga por lá fez desta quinta-feira o melhor dia da semana. Começou com aula, normal. O pessoal ao mesmo tempo bem entrosado e triste por se separar já no dia seguinte. No fim da aula um pequeno desencontro. A Rê (minha amiga) e a Sarah (amiga dela) foram me buscar em frente à Aliança Francesa. A Rê foi minha vizinha por muitos anos, já Sarah é francesa e conheceu minha amiga num curso de inglês em NY. A conversa foi uma salada português-inglês-francês, mas todo mundo se entendeu. Começamos o passeio num bistrô, seguido de uma volta por Montparnasse, que incluiu a FNAC e várias lojas de roupas e sapatos. Para não ser um dia totalmente consumista, terminamos a tarde da Tour Montparnasse, uma das melhores vistas da cidade. De lá, Sarah nos convidou para um jantar, ela seria a cozinheira.

Fomos ao supermercado fazer compras, ao açougue comprar carne. No meio da caminhada, já conversando com uma naturalidade de bons amigos, descubro que Sarah é e que era Ramadã. Resultado: a janta seria tarde, a carne seria Halal (abatida de acordo com os ritos muçulmanos, sem derramamento de sangue, entre outros detalhes). A comunidade muçulmana no Brasil é bastante grande, e isto é bem perceptível pela disponibilidade de carnes Halal nos supermercados, bem como à variedade de lojinhas com tabuletas em árabe/turco/sírio/libanês/armênio. No restaurante, o idioma á armênio, e Sarah nos dá uma aula. Em casa, um bom papo, seguido de um excelente jantar, com entrada, vitela à milanesa, batata frita, salada com queijo feta, regado a refrigerante armênio. Depois da janta, por lá, come-se queijo. E eu experimentei um queijo azul com nozes que é um primor. Papo vai, papo vem, meia noite e as meninas ainda vão pra festa. Eu tenho aula, e me vou pra casa.

Sexta-feira (12/08/2011): Dia de me despedir da cidade. Depois da aula e das despedidas, um almoço por perto, e um tempo numa papelaria/lan house ver se encontrava as meninas Rê e Sarah acordadas. Nada feito. Aproveito que estou por ali e começo meu dia de comprar souvenires: Pastas desenhadas para as meninas, Moleskines para os rapazes. A despedida foi uma longa caminhada pela região central da cidade, uma volta pelo Sena, uma visita à FNAC (despedir daquela coleção imensa de quadrinhos), uma visita à creperia. Fiquei até tarde na rua, voltei e arrumei as malas.

Sábado (13/08/2011): Au revoir, Paris. Au revoir Vanves. Foi o dia de comprar meu e-reader (um fnacbook com 71 livros para começar), uma refeição no restaurante ao lado do hotel, fotos, e melancolia geral. A saudade de casa era a única coisa que compensava esta saudade antecipada, desta região que passei a amar…

Foi uma experiência fantástica, que queria poder repetir anualmente. Para quem quiser conhecer Paris e ainda estiver temeroso, algumas pequenas dicas, que valem muito: a) Vai passar mais de uma semana? Compre um Passe Navigo  ou um Paris Visite. Quer visitar museus e pontos turísticos? Paris Museum Pass vale cada centavo, nem que seja por cortar as filas no verão. O hotel que fiquei foi o Citéa Vanves Porte de Versailles, e o curso eu fiz na Alliance Française Île de France. Para não me matar com o cartão de crédito, usei o Visa Travel Money, ótimo para quem tem o orçamento controlado.

Sobre comportamento. Os parisienses que conheci gostam de gente simpática, e que o abordem em francês. Você não precisa SABER francês, mas é de bom tom começar a conversa com um Bonjour, um Excusez-moi e terminar com um Merci. A grande maioria dos estabelecimentos comerciais conta com funcionários bilíngues, e se você for gentil, vão fazer de tudo para entendê-lo. Ter um mapa de metrô pequeno (tem uns do tamanho exato de um cartão postal) ajuda muito a não dar muita bandeira no metrô. Aproveite o metrô para conhecer a cidade. Há estações lindíssimas, e eles levam a qualquer lugar por ali. Não fique maníaco fazendo conversões. Pense, o salário mínimo de lá é de 1.300 euros. Aproveite os bistrôs, e abuse das formules, que são combinações de entrada e prato principal, prato principal e sobremesa, ou o trio entrada+prato+sobremesa. São mais baratos, e valem a pena. Sem contar que nesses lugares a comida é farta.  E Bon Voyage.

Anúncios

Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
Esse post foi publicado em La boîte à Pensées e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s