O Pequeno Livro do Rock (Hervé Bourhis)

Uma enciclopédia do Rock em quadrinhos, uma cronologia da música, Um teste de memória, “O Pequeno Livro do Rock” é ao mesmo tempo uma leitura fácil e um desafio. Hervé Bourhis é um aficcionado pelo Rock. Não só pela música, mas também sua essência caótica. Lê-se bem em sua obra, que não possui uma narrativa linear, mas é um apanhado de quase tudo de importante para o Rock de 1915 a junho de 2009.

Cada quadrinho é uma referência, cada ano tem sua lista à là Alta Fidelidade, de NIck Hornby. Não só o Rock é contemplado neste roqueiramente caótico compêndio. Há referências ao soul, ao R&B, Reggae, Rockabilly, Hip Hop, Pop, Punk, e até mesmo Bossa Nova e tropicalismo. Hervé nos lembra que quase todas essas vertentes tiveram sua origem no Rock. Anedotas famosas- Como Keith Richard cheirando as cinzas do próprio pai,  são entremeadas de capas de discos icônicos, como o Black do Metallica e pequenas notas autobiográficas.

Todo em preto e branco e desenhado num estilo livre, n”O Pequeno Livro do Rock” vemos atravessar as páginas o Bob Marley vendedor de bijouterias em Woodstock, o primeiro encontro entre Lennon e McCartney num festival de igreja; a conversa fortuita entre Mick Jagger e Keith Richards numa estação de metrô, Os Ramones dividindo uma página com o Peter Gabriel do Genesis (este fantasiado de espinha), os primórdios de caras como Frank Zappa e Serge Gainsbourg. Várias referências à música alemã, francesa, brasileira, finlandesa, um aglomerado de rockstars, mas também de popstars, reggaestars e gangstas.

Há também páginas duplas dedicadas a Batalhas musicais. O autor escolhe dois ícones de um estilo, e os coloca frente a frente, disco a disco. Entre eles Chuck Berry vs Little Richards, David Bowie,vs Lou Reed, Prince e Michael Jackson. As escolhas são claramente pessoais, assim como a escolha de quem aparece no livro. Alguns sentirão falta de grandes bandas (eu senti falta, por exemplo, de Rammstein), outros se irritarão com algumas comparações. Os puristas amaldiçoarão o autor por colocar Madonna, Bob Marley ou Eminem, ou por comparar Punk ao Grunge, ou mesmo chamar por os Mutantes de Os Beatles brasileiros. O livro, assim como o Rock, está fadado á polêmica.

Mas com certeza agradará o fã de música sem rótulos. Uma aula de história, que nos faz ver as inter-referências de estilo, as mudanças no gosto musical, a influência da tecnologia. É um livro para ler e ouvir, haja vista a gigantesca lista de hits e singles no fim do livro. Uma lição de humildade para quem acha que sabe tudo sobre música contemporânea.  Vale ainda a bela edição, em formato de um LP, que na versão original tem o tamanho exato de um 45 rotações antigos, no tempo em que tudo que indicava qual era o artista era o rótulo do disco, e a capa não tinha desenhos ou fotos.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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