Traduções por vir: Literatura Francesa

A portuguesa Maria de Medeiros (atriz e cantora), radicada em Paris, declarou em uma entrevista para a rede de TV francesa TV5 que o francês e o português são línguas irmãs. Estou inclinada a concordar.  Não por acaso que muitas obras de literatura russa e afins chegaram a nós via traduções francesas. Possuímos expressões idiomáticas similares, as frases são construídas de forma semelhante, partilhamos boa parte da gramática latina. Os franceses são também prolíficos em clássicos: Alexandre Dumas, Guy de Maupassant, Victor Hugo, Balzac, Antoine de Saint-Exupery, Camus, Sartre, Beauvoir, Sade.

Abrigou ainda muitos escritores e artistas de outras regiões, como Ernest Hemingway, só para citar um exemplo. Tudo isso levaria a crer que não há muitas obras francesas não traduzidas por aqui. Ledo engano. Selecionei aqui algumas obras que adoraria ver nas estantes brasileiras, o quanto antes. Não dá para traduzir tudo, a gente bem sabe, mas espero que os editores olhem minhas sugestões com carinho:

Saint-German: l’homme qui ne voulais pas mourir (Gerald Messadié):  Este livro está no meu top 10.  Escrevi sobre ele em uma das minhas primeiras participações aqui no blog, e ainda não localizei um rival. São dois tomos, num total de mais de 1000 páginas, que transformam o homem Conde de Saint-Germain em personagem, e sua trajetória mística e misteriosa numa aventura digna de um romance capa e espada. É também uma obra sobre a identidade. Fantasticamente escrita por esse autor que possui alguns livros publicados no Brasil,  mas não o suficiente.

Histoire Géneral du Diable (Gerald Messadié): Ainda deste autor, que também é historiador, merece uma boa tradução para o português (brasileiro) este estudo sobre o Diabo. Nele, Messadié busca as origens deste antagonista de Deus, Satã, Belzebu, quem quer que ele seja. Ele busca sua figura em diversas civilizações, antigas e contemporâneas. Faz com que o leitor reflita sobre história e religião, deuses e homens.

Crimes Célèbres (Alexandre Dumas): Meu escritor favorito, o responsável pela minha paixão pelo idioma tem só uma pequena parcela de suas obras traduzidas aqui no Brasil. Poderia fazer um traduções por vir só de obras do mestre, mas vou me ater a esta. São relatos de crimes célebres em sua época. Dentre os celerados, encontramos os Bórgias, a marquesa de Brinvilliers e Urban Grandier. Considerando o poder da pena de Dumas, deve ser um primor de leitura. Considerando o sucesso da série de Dexter, e o novo fascínio que parece surgir de romances históricos, este livro deve ser uma boa pedida para as editoras. Texto de qualidade, assunto de interesse do público.

Contes à faire rougir les petits Chaperons (Jean-Pierre Enard): Versões, digamos, adultas de contos de fadas, este livro não é recomendado aos menores de 18 anos. As releituras de Jean-Pierre Enard são um tanto quanto apimentadas, e podem causar espanto aos mais puritanos, mas é um livro divertidíssimo, e bastante envolvente. Seu nome é uma brincadeira com a Chapeuzinho vermelho: Contos que fazem corar as pequenas Chapeuzinhos.

Le Dernier Amour d’Aramis ou les Vrais Mémoires du chevalier René d’Herblay (Jean-Pierre Dufreigne): Editores poderiam aproveitar o boom do recente lançamento dos cinemas – mais uma versão de “Os Três Mosqueteiros” – e traduzir este que seria um livro de memórias de Aramis, o mais misterioso dos Mosqueteiros do rei. Lançado em 1993, este livro faz do personagem de Dumas um senhor de 70 anos, apaixonado por uma donzela muito mais jovem, a quem são dedicadas tais memórias.

E, para terminar, quadrinhos franceses: Literatura ou não, a França lança anualmente mais de 100 mil álbuns por ano. São vários os autores, vários os estilos, e entrar numa livraria e ver uma sessão de quadrinhos como as de Paris é algo de babar. Nesta categoria eu destacaria o Notes, do Boulet, Cadavre Exquis, de Pénélope Bagieu e Naguère les Étoiles de Hervé Bourhis, e vários outros. Não é à toa que a França abriga um dos mais famosos festivais de quadrinhos do mundo: O Festival de Angoulême.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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Uma resposta para Traduções por vir: Literatura Francesa

  1. Fernanda disse:

    Sou apaixonada pelo idioma francês (tanto que já estudei francês por 3 a nos) e também pela literatura francesa. Adorei todas as suas surgestões e espero que as editoras seriamente as levem em consideração. Também gostaria de acrescentar mais uma (ou duas. rsrs). Não sei dizer se o romance de Marc Levy “Et si c’était vrai..” foi lançado em português (só tenho o livro em inglês “If Only It Were True”) que teve sua adaptação para o cinema no filme “E Se Fosse verdade”, com a Reese Witherspoon e o Mark Ruffalo. Mas o que eu realmente quero ler é a continuação desse romance, que é “Vous revoi” de 2005 e que ainda não tem publicação nem em inglês. O final do primeiro livro é um pouco diferente do final do filme, por isso estou louca para saber a continuação dessa história. ^_^

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