La boîte à Pensées: Paris 2011 (primeira semana)

Depois de realizar meu sonho de conhecer Paris no ano passado, fiquei me sentindo um pouco órfã daquela cidade. Sabe aquela impressão de que faltou muita coisa para ver, para experimentar? Então. Essa. Queria ainda aprender melhor a língua, com nativos. Conversei bastante com meu marido, e decidimos que, desta vez, eu iria sozinha.

Como já conheci a cidade, resolvi dispensar a agência de turismo desta vez. Passei uns bons dois meses escolhendo a escola, o hotel, a companhia aérea, o tempo que passaria lá. Acabei optando por um curso intensivo de francês na Alliance Française , num período de duas semanas. O tempo necessário para curtir a cidade com mais calma, e ainda assim fazer um bom curso, e não morrer de saudades do maridão.  A própria escola me forneceu alojamento, num appart-hotel da rede Citéa, logo na saída de Paris intramuros. As passagens comprei via TAM, assim como o seguro de viagem.

O curso ocupava  minhas manhãs de segunda a sexta, das 9 às 13h. Mas eu cheguei por lá num sábado, e tinha ainda um fim de semana livre entre as semanas, e todas as tardes para passear. Já no aeroporto, me muni de Paris Visite (passes de metrô, trens, RER e tramways de Paris) e do Paris Museum Pass (um passe quase mágico para ir aos vários pontos turísticos desta cidade, sem pegar fila) para todo o período. Eis um breve relato de meus dias por lá.

Sábado, dia 30/07/2011 : Basicamente cruzei a cidade do aeroporto até o hotel. O quarto é ENORME (para os padrões de Paris), com pia, frigobar, cooktop e microondas, além de uma mesa e uma escrivaninha, uma cama de casal, guarda-roupa e banheiro). Praticamente, só conheci o mercado da esquina, descansei as pernas, fiz uns sanduíches, vi TV e dormi.

Domingo, dia 31/07/2011: Um dos passeios mais longos da viagem. Conheci a Conciergerie, a  Sainte Chapelle, o  Musée Cluny, o  Panthéon,  e  o Jardin du Luxembourg, e usei bem meu passe de museu. À tarde, uma voltinha pelo  Boulevard de Saint Germain e uma visita ao cinema. Ver Midnight in Paris em Paris é algo mágico. No fim do dia fui visitar a Tour Eiffel, e jantei num bom bistrô au bord de la Seine.

Segunda-feira, 01/08/2011: Primeiro dia de aula. Minha turma era bem diversificada, de 17 pessoas. Foi uma aula divertida, sobre pintura e cultura e tudo o mais…. à tarde eu caminhei bastante, mas segunda-feira é dia de museus fechados em Paris. Depois de passar na  na frente de vários pontos turísticos famosos, acabei dentro da megastore da Virgin na Champs-Elysées.

E lá deixei boa parte do orçamento da viagem. Uma sessão de quadrinhos impressionante, uma sessão de livros gigantesca, vários andares, paredes até o teto cheias de livro. O item mais caro desta “comprinha” me custou 25 euros, mas tive que voltar para o hotel de táxi, com três sacolas cheias de livros e quadrinhos, dos quais falarei numa próxima oportunidade.

Terça-feira, 02/08/2011: Aula pela manhã,  e grandes mudanças na sala de aula. Gente que resolveu voltar um nível, gente que conseguiu subir de nível, gente que saiu. Falamos sobre a vida cultural de nossos países e…bom. Aparentemente o mundo inteiro está em colapso cultural.

Me  lembrei das discussões no Meia sobre ler, gostar de ler, educação básica e etc.  À tarde saí com uma colega de curso (Paula) espanhola, almoçamos numa brasserie pertinho, caminhamos até o Sena, depois até o Musée de l’Armée.

Lá visitamos o domo e a tumba de Napoleão, e íamos entrar nas exposições sobre a 2ª Guerra quando começou uma manifestação de dança contemporânea no pátio. Ficamos encantadas com a criatividade dos quatro dançarinos, vestindo roupas do cotidiano, sem maquiagem nem nada, como acessórios de cena apenas as grades que eles usam aqui para organizar as filas. Quando vimos era 16:30, então saímos correndo para tentar visitar o Musée Rodin.

Chegamos a tempo, demos uma volta longa pelo jardim, tomamos um café com macarons, ficamos até o museu fechar. Depois uma caminhada pelo jardim das Tulherias, uma cervejinha, um passeio pela praça do Louvre ao som de um violino de um artista de rua, pôr-do-sol na Pont de L’Alma (a dos cadeados), jantar numa brasserie numa das ruazinhas que cruza o Boulevard Saint-Germain. Cheguei no hotel já era mais de 23:00h, vi um pouco de tevê, e capotei.

Quarta-feira, 03/08/2011: Acordei já me sentindo cansada. Um pouco de chuva. Na aula, as pessoas estão começando a relaxar e conversar umas com as outras com mais naturalidade. Fizemos nossa própria versão do Master (perguntas de cunho cultural um pro outro, jogando em equipes) e conseguimos encurralar a professora numa questão de gramática. À tarde eu, a Paula  e Klaudia (polonesa), fomos ver o Musée de l’Orangerie (no jardim das Tulherias).

Lá estão Les Nymphéas de Monet e as coleções (antes privadas) de Paul Guillaume e Jean Walter, que inclui peças de Modigliani, Renoir, Matisse, Soutine, Derain e Utrillo. Há uma salinha chamada “Sala dos interiores” com maquetes da residência de Paul Guillaume, com miniaturas dos quadros na parede que é algo de inacreditável.

Depois disso Klaudia se foi comprar produtos de papelaria e desenhar um hipopótamo (?!) para o namorado, eu e Paula seguimos para a Rue Rivoli para um lanche. Depois do lanche, Paula teve de ir fazer compras e eu parti para uma volta no ônibus de turismo… Fiz dois circuitos, o principal e o Grands Boulevards, voltei para o hotel.

Quinta-feira, 04/08/2011: Aula, aula, aula. O assunto do dia foi a crítica, a resenha (há). Como exercício, montamos um debate sobre o Titanic, muito cômico. Almoço numa Brasserie pertinho da escola, com a Paula e um casal de poloneses. No cardápio, uma Salada Italiana, e sorvete de baunilha (de verdade), chocolate e café. Por coincidência, Mathias (o polonês) conhece o Brasil, e adora MPB, logo papo não faltou. Ficamos mais de duas horas conversando, e foi muito, muito legal.

Depois, Paula e eu fomos (finalmente) ao Musée d’Orsay. Lindíssimo, fantabuloso, demais. Pena que não dá para tirar fotos. No cardápio, Monet, Manet, Degas, Renoir e outros impressionistas, e esculturas representando Dante e Virgílio. Saímos do museu já eram quase seis horas da tarde. Depois, fui me aventurar para os lados do 3º Arrondissement, o famoso Marais. Aa intenção era ir ao Museu de Artes e Ofícios, mas eu sou péssima com mapas e me perdi. Foi o máximo! No caminho, um Gâteau au Chocolat e um chá feito pelo próprio Café.

Sexta-feira, 05/08/2011- Chuva em Paris… na aula, uma pecinha de teatro sobre arte, advérbios e subjuntivos… Essa semana acabou o curso para minha colega  Klaudia  e nosso colega espanhol Juan Francísco. Para nos despedirmos, saímos eu, Paula, Ana Paula (espanhola), Juan (espanhol) e Gabrielle (italiano, assim mesmo, no masculino). Uma pequena volta no Jardin de Luxembourg, compramos crepes e voltamos para o parque, almoçamos no coreto. Juan se vai arrumar as malas, e o resto da trupe sai para encontrar o marido de Ana Paula na Nôtre Dame de Paris.

Como é a primeira sexta-feira do mês, eles abrem a área da missa para exibir a relíquia (nesse caso, a dita “coroa de espinhos de Cristo”. Gabrielle fica para a missa, as Paulas vão para o Panthéon e eu saio com a intenção de ir ao Trocadéro. No fim das contas eu vou a um café, como um Merveilleux (nham nham) e dou a volta nas ilhas.

FINALMENTE conheci a Shakespeare and Company, e passei na Rive Gauche vendo os livros raros. Resultado, três livros do Dumas, um deles editado em 1855!! Desci no cais do Batobus, ao lado da Notre Dame, um rapaz tocando La Vie en Rose no violino. Parei para ler um pouco, ouvir a música et hop! Tarde demais para ir ao Trocadério. Um passeio á pé se fez necessário. Até a Gare d’Austerlitz pelas margens do Sena, e cedo no hotel. A chuva começou a ficar forte no momento em que pus os pés na Gare.

Sábado, 06/08/2011. Conheci (e me emocionei) o Château Monte-Cristo, que foi residência de Alexandre Dumas. Fica a uma hora de Paris (Metrô e RER), numa cidadezinha chamada Marly le Roi. Fui por Saint Germain en Laye, cidade charmosíssima, peguei o ônibus de lá e me fui. Visita praticamente VIP, já que não tinha mais nenhum turista por lá. Menor que um château tradicional, o Monte-Cristo se destaca mais pela área verde e pela criatividade arquitetônica. Vale demais a visita, principalmente para os que são fãs como eu. Almoço em St. Germain en Laye, depois RER até La Défense, e seu grande arco.

Uma passadinha na Virgin (mais alguns euros cortados do budget). E metrô até a Champs-Elysées onde tomei um café gourmet no terraço da Haagen-Dasz com direito a mini macarons de sorvete. Voltei para o hotel descansar um tico os pés, tomar um (outro) banho pois à noite fui, junto com uma amiga (brasileira morando em Paris) assistir Harry Potter e beber uma cerveja num pub chamado The Frog. Papo bom, cerveja boa. Um belo encerramento para minha primeira semana em Paris.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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3 respostas para La boîte à Pensées: Paris 2011 (primeira semana)

  1. Rafa disse:

    Nossa, que legal!
    Pelo que pude perceber, aproveitaste e bastante tua viagem!
    Esperarei pelo próximo relato, ansiosamente. ^^

  2. Pingback: La boîte à Pensées: Paris 2011 (segunda semana)

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