O Homem de Beijing (Henning Mankell)

Na noite de 12 de janeiro de 2006, 19 pessoas são brutalmente assassinadas em uma pequena aldeia na Suécia. Birgitta Roslin é uma juíza de meia idade, num casamento que começa a esfriar. Vivi Sundberg é uma policial durona, que está face a face com a maior cena de crime de sua vida profissional. Ya Ru é um próspero empreendedor chitnês. Hong Qiu é sua irmã, ligada aos círculos internos do poder. San viveu 100 anos antes da história principal, e ajudou a construir uma ferrovia num regime de semi-escravidão. De alguma maneira, todas estas histórias estão conectadas.

Henning Mankell junta os opostos numa trama bem construída de suspense e investigação. As ligações são tênues, mas bem explicadas, tendo como fio conector a história de Birgitta Roslin, que poderia ser considerada a “investigadora principal” neste caso. Mas, apesar de juíza, o caso não é de sua jurisdição, mas uma busca pessoal. Ela encontra inúmeros entraves em sua busca, da burocracia e o descaso de uma investigação policial por informações de fora, ao assédio de jornalistas inoportunos.

Essa estrutura faz com que Birgitta, diferentemente de um investigador como Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, não tenha acesso a todos os dados necessários para desvendar o mistério. Muitas vezes, inclusive,  o leitor sabe mais que o personagem. Por outro lado, nem todas as respostas estão no final do livro. Mais ou menos como na vida real.

E a verossimilhança é o ponto forte da narrativa de Henning Mankell. Nenhum dos personagens tem poderes fantásticos além de um bom treinamento profissional. Não há pessoas boas ou más e cada um segue os princípios de seu próprio código de conduta. Elementos como a televisão, a internet e o rádio fazem parte da vida cotidiana dos personagens, e cada um tem seus problemas para resolver, e eles não ficam em suspenso por conta da investigação.  Algo que Hollywood poderia incorporar, eu diria.

Esta narrativa com fios soltos num romance policial/suspense foi novidade para mim, e descobri que eu gosto. Gosto do fato de Henning Mankell admitir que nem tudo TENHA que ter uma resposta, ou que todas as respostas tenham que ser conhecidas da protagonista. Gosto de saber que ela perde o foco na investigação para cuidar de seus problemas pessoais. Gosto da narrativa em múltiplas vozes, todas elas parciais. Gosto, enfim do ritmo alucinante e dos picos de adrenalina que experimentei durante a leitura.

“O homem de Beijing” é um livro a ser lido e apreciado como uma narrativa policial dos tempos modernos.

O HOMEM DE BEIJING

Henning Mankell

Título original: KINESEN (THE MAN FROM BEIJING)

Tradução: George Schlesinger

512 Páginas

Selo: Companhia das Letras

 

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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3 respostas para O Homem de Beijing (Henning Mankell)

  1. Maura disse:

    Eu quase comprei esse livro hoje… Quase… Pelo que li da resenha, deveria ter comprado… Que puxa!

  2. Yuri disse:

    Sou viciado em livros policiais e me surpreendi com essa história e com a maestria que o autor conseguiu juntar 2 gerações…

  3. Simone disse:

    faz tempo que paquero esse livro: adoro policiais e sou fã dos escritores suecos. Adorei sua resenha e vou comprar o livro hoje. Bom saber que existem tantos apaixonados por livros como eu…

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