O Navio do Destino (Rosine de Dijn)

“Rio de Janeiro – Lisboa – Nova York, 1942”

Todos já ouvimos falar dos horrores da Segunda Guerra Mundial, da perseguição aos judeus, dos campos de concentração. “O Navio do Destino” fala de um outro lado da história. A história de teuto-brasileiros ansiosos por se unir à sua “pátria” e aos nazistas, e a dos judeus que conseguiram escapar. Partindo das viagens do navio Serpa Pinto, de bandeira portuguesa, Rosine de Dijn acompanha a viagem que levou brasileiros e alemães saídos do Sul do Brasil em direção à Europa em guerra e, alguns dias mais tarde, a viagem  de judeus belgas, alemães, franceses e holandeses rumo à liberdade em Nova York.

Mais do que a história do navio, e de sua viagem, Rosine se concentra na história de seus passageiros. O navio que levou Marcel Duchamp e o inventor do LED – e mais de 5.000 refugiados judeus – a uma terra segura  foi testemunha das ilusões e dos horrores da guerra. Os protagonistas desta empreitada são: Américo dos Santos, o corajoso capitão do Serpa Pinto; Johann Albert Spieweck; Gustav Buchholtz; Nuna Krüger; Hans Henning von Cossel; Irène Van Leeuwen e Jacques Padawer. São suas memórias que fazem desta uma história especial.

São relatos em primeira mão de pessoas de ambos os lados da luta, um passado que até hoje causa dor e remorso de ambos os lados. Fala da propaganda nazista, que soava como música nos ouvidos dos colonos alemães que sofriam o preconceito do Estado Novo de Vargas, em virtude da sua  dificuldade em assimilar a cultura do melting pot brasileiro. Fala da luta de famílias inteiras em se manterem vivas em meio a uma perseguição cada vez mais acirradas às raças não-arianas no Reich. Fala dos empecilhos burocráticos gerados por uma guerra, de chicanas, de planos cruéis. Fala também de esperança, de sorte, de destino. São memórias de senhores e senhoras que, à época dos acontecimentos eram ainda crianças ou adolescentes.

Para nós, leitores brasileiros, principalmente os do Sul, é especialmente interessante a leitura da primeira parte do livro.  É importante saber que não há um lado totalmente bonzinho nesta história. A colonização alemã e italiana no Sul do Brasil, a simpatia de Vargas pelos regimes fascista e nazista, o fato de termos abrigados a maior agremiação de nazistas fora da Alemanha, são coisas que não devem ser esquecidas. É um lembrete para nós, essa geração pós guerras, pós revoluções, pós tudo. A Segunda Guerra não foi só deles. Foi de todos.

Em pouco mais de 200 páginas, Rosine de Dijn nos traz um panorama bastante interessante do cotidiano entre os anos de 1938 a 1942, não tanto baseada nos grandes conflitos, nos principais eventos, mas sim no quanto isso afetou pessoas comuns, professores, lapidadores de diamantes, militantes. Tem o mérito de deixar a história mais próxima de nós, é como um diário, um álbum de fotos de uma época estranha. Na obra se encontrará relatos da mais fria crueldade à mais emocionante prova de solidariedade, num texto que, mesmo um pouco confuso em sua formatação, vale a pena ser lido.

O navio do destino: Rio de Janeiro, Lisboa, New York 1942.

Rosine de Dijn

Título Original: Das Schicksalsschif: Rio de Janeiro, Lissabon, New York 1942.

Tradução: Kristina Mischahelles e Marina Michahelles

224 Páginas

Editora Record

Preço Sugerido : R$ 42,90

 

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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