La boîte à pensées: A Paris de Haussmann

No meu certificado de francês, há a seguinte legenda: …”concluiu o curso de língua e cultura francesa…”. Uma porque não se aprende (bem) um idioma sem se aprofundar, nem que seja um poucochinho, na cultura que a formou, outra que entre as aulas do idioma, tínhamos um insight bastante grande de sua história e costumes, na forma de mini-aulas e textos em francês. Semana passada, enquanto lia uma biografia de Borges, a aula que tive sobre Paris me assaltou a mente. Na biografia, o autor lembrava que Buenos Aires foi construída (ou reformulada) sob a influência da Paris do século XIX.

Paris é uma das cidades mais belas do mundo. Você já deve ter ouvido esta frase mais de uma vez, talvez já tenha tido a oportunidade de passear por lá, ou conhece alguém que foi e voltou encantado. Esqueça por um momento as pessoas, sejam parisienses ou turistas, e concentre-se na cidade: em sua arquitetura de grandes bulevares, com iluminação sem fiação elétrica aparente, prédios que seguem o mesmo padrão estético, as avenidas que convergem na Champs Elysées. É (quase indiscutivelmente) lindo. Pense também nos mais de 2400 kilômetros de esgotos subterrâneos  mapeados como ruas, tão passíveis de visitação quando estas.

O que poucos sabem é que a cidade de Paris só ganhou essa “cara nova” em meados do século XIX, e tudo por conta de dois homens: O Imperador Napoleão III e o Barão de Haussmann. Antes de 1852, Paris parecia-se muito com sua versão medieval – imagine ruas estreitas, escuras e não pavimentadas, onde as pessoas jogavam suas necessidades das janelas. É  a Paris dos três Mosqueteiros (Alexandre Dumas), onde o segundo andar das casas podia ser visto do alto de um cavalo, as saídas eram muradas, e as portas se fechavam ao anoitecer, é a Paris de “O Perfume” (Patrick Süskind – superpovoada, malcheirosa, apinhada, com uma incrível disparidade entre os ostentosos palácios dos ricos e os escuros casebres dos pobres.

E foi durante o Segundo Império que tudo mudou. Napoleão III, encantado com – ironia das ironias – a cidade de Londres,  pediu ao “prefeito do Sena” – Haussmann – auxílio para a modernização da cidade. Londres, naquela época, era um modelo de higiene e modernidade, e fora reconstruída após o grande incêndio de 1666. Haussmann não hesitou, não mediu esforços e quase esvaziou os cofres públicos e privados para construir uma maravilha arquitetônica que lhe garantiria a posteridade. Foram destruídas ruas, igrejas, monumentos menores, para dar lugar às ruas retas e às fachadas dos prédios que vemos hoje.  Foi um trabalho de 17 anos, hoje apreciados por milhões de turistas do mundo inteiro.

Essa aula, para uma pessoa que vai a museus para ver o prédio em que as obras estão expostas, foi particularmente estimulante. Haussmann não foi responsável pelo grande monumento parisiense, a Torre Eiffel, que só foi terminado em 1889, mas deu-lhe uma bela vista…

E para compartilhar um pouquinho dessa mudança na cidade Luz, para aqueles que são, como eu, curiooosos sobre essa história de passado e presente de uma determinada cidade, eu separei alguns links que devem agradar… À la prochaine!!!

 

Vídeos – da Paris medieval aos dias de hoje

Paris da Idade Média

Paris 1900 – Exposição Universal

Textos (para quem quiser treinar o francês)
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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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2 respostas para La boîte à pensées: A Paris de Haussmann

  1. **Maniaca do Miojo** disse:

    Super!!!

    Kika, ficou maravilhoso esse post 😀

    “onde as pessoas jogavam suas necessidades das janelas.”…huahuahua ñ acredito q imaginei isso, que horror em pensar q pode levar uma “cagada” na cara no meio da rua xD

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