Scoundrel (Bernard Cornwell)

A palavra Scoundrel significa algo como um patife ou canalha. É a melhor definição para o personagem principal Paul Shanahan, nascido em Boston de família irlandesa. Ao longo dos anos serviu o IRA e algumas organizações criminosas do Oriente Médio, como negociador de armas, transportador, informante, e outros vários pequenos trabalhos.

Tinha contato direto com os grandes nomes destas organizações, até que a suspeita de ser um agente secreto da CIA, o faz perder sua posição. Quatro anos depois, é encarregado de levar um carregamento de ouro do Mediterrâneo aos Estados Unidos, como pagamento por um carregamento de armas. E isso é tudo o que posso contar sobre a história, sem estragá-la

Fugindo um pouco do estilo que o deixou famoso, Scoundrel é 100% ficção. Claro que, em colocando a história nos anos 90 num circuito extremo de conflitos internacionais (como a Guerra do Golfo), há nomes e organizações que nos são conhecidos, mas o grande foco é o suspense, o thriller. E, como não pode deixar de ser em se tratando de Cornwell, a trama nos pega desprevenidos.

A começar pela narração em primeira pessoa, na voz de Paul Shanahan. A história é contada cronologicamente, com uns poucos flashbacks, e mostram um cara que, antes de tudo, é um eximio mentiroso. Logo, cada palavra dele pode ser posta em dúvida, e mesmo assim, o relato dele é o único que temos.

E Cornwell adiciona o suspense em pequenas doses, aos poucos, redirecionando nossos pensamentos a seu bel-prazer, o que me fez cair como um patinho em sua trama. Coisa que adoro quando leio thrillers. Por mais que queira desvendar o final antes de acontecer, adoro ser pega de surpresa. E as intrincadas redes de relacionamento de Paul com os irlandeses, americanos, palestinos, cubanos, os árabes etc, são perfeitas para montar a armadilha.

Não é um livro para as pessoas sensíveis à violência, no entanto. Há algumas cenas em que a falta de escrúpulos dos personagens dão espaço para ações de uma crueza ímpar, a ponto de me fazer parar a leitura por um momento para me recuperar do choque. Não são cenas de violência explícita, e talvez por isso soem mais cruéis, mas elas são necessárias ao desenvolvimento da história e, em parte, responsáveis pela tensão que permeia toda a obra.

Com Scoundrel, Bernard Cornwell nos prova mais uma vez que é um excelente contador de histórias. Seus personagens são tão verossímeis, tão cheios de facetas, tão psicologicamente complexos, que é difícil separar realidade da ficção. Usando o terrorismo internacional como pano de fundo, adicionando a ele a boa e velha teoria da conspiração, ele cria uma trama de ação e suspense de dar inveja aos melhores roteiristas de Hollywood.

 

Scoundrel

Bernard Cornwell

HarperCollins Publishers

326 Páginas

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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