The Signalman (Charles Dickens)

Halloa! Below there!. Estas são as primeiras palavras deste conto de Dickens, e elas permeiam toda a narrativa a seguir. The Signalman é a história de um sinaleiro, um funcionário de uma ferrovia, encarregado de avisar os trens de perigos e passar outros recados através de um sistema telegráfico. A primeira frase é gritada do alto de um promontório pelo narrador do conto. Este, libertado de uma vida entre muros, garante possuir uma curiosidade nova sobre os “grandes trabalhos”.

A primeira reação do sinaleiro não é das melhores. Ele avista o narrador como uma assombração, e leva algum tempo esboçar uma reação amistosa. Os dois personagens passam então a conversar. Sobre o trabalho de sinaleiro, suas responsabilidades, sua educação. O sinaleiro então lhe conta sua história e confessa estar se sentindo atordoado. No dia seguinte este confessa ao narrador seus medos. Fala-lhe sobre a aparição que lhe dá sinais de perigo os quais não consegue decifrar corretamente, e que parecem vir sempre antes de grandes tragédias. É uma história arrepiante e para lá de ambígua.

Dickens é especialista em ambientar suas narrativas, e consegue instigar no leitor, em pouquíssimas palavras, o sentimento de solidão e morte que emana da estação do sinaleiro. Desde o primeiro momento o leitor é levado a duvidar de cada palavra da narrativa. Dada a reação do sinaleiro, seus medos, o espectro que o assombra (fisicamente parecido com o narrador), cada detalhe pode ser interpretado de várias maneiras.

Sem saber em que confiar, o leitor é levado ao assombro pela história do funcionário, inquirido pelo narrador, que procura sempre racionalizar quaisquer indícios sobrenaturais, usando os argumentos bastante conhecidos dos céticos: É uma alucinação passageira, foi o vento, é pelo fato de ficar sozinho à noite. Mas o sinaleiro parece um homem razoável, cioso de suas responsabilidades, são. Sua angústia vem menos do fantasma e mais pelo fato de não poder evitar o mal causado. Sem querer, o narrador acaba por se sentir também receoso da aparição, a ponto de perder o sono.

É difícil descrever minha reação ao ler o conto, o sentimento de frio na espinha, a sensação de solidão passada pela história do sinaleiro, a aparente falta de motivo do narrador estar lá e passar tanto tempo com ele. Mil teorias passaram pela minha cabeça, e cada uma foi revista e negada para ser substituída por outra. O final é um gigante ponto de interrogação, algo sempre interessante quando tratamos de histórias fantásticas. Dickens delegou ao leitor a explicação dos acontecimentos, ou se eles de fato ocorreram, ou quem estava vivo ou morto no final desta história.

É daqueles contos que nos acompanham muito tempo depois de lidos, nos faz buscar um motivo, uma explicação razoável – científica ou sobrenatural – para o acontecimento. Uma bela história de fantasmas

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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Uma resposta para The Signalman (Charles Dickens)

  1. **Maniaca do Miojo** disse:

    Ambíguo e a palavra certa para esse conto!
    Muito bom Kika ;D

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