A vida imortal de Henrietta Lacks (Rebecca Skloot)

Henrietta Lacks foi uma mulher de grande força de vontade, negra, que morreu assustadoramente nova, devido a um câncer agressivo no cólon do útero. Ela morreu em 1951, aos 31 anos.

Durante os procedimentos para seu tratamento de câncer, os médico do hospital Johns Hopkins retiraram uma amostra de seu tumor e encaminharam ao laboratório de George Gey, que então pesquisava sobre a cultura celular, numa tentativa de manter células vivas em laboratório. Foi o nascimento das células hoje conhecidas como HeLa.

As células HeLa foram usadas em várias pesquisas em todo o mundo, ajudando a desenvolver a vacina anti-pólio, técnicas de contagem de cromossomos, pesquisas sobre câncer, comportamento de células humanas no espaço, danos de radiação, genética, técnicas de coloração de células entre várias outras. São mais de 60 mil artigos científicos que incluem pesquisas com estas células.

Rebecca Skloot reúne a história da mulher e de sua família à história das células HeLa e da pesquisa científica. Foi um trabalho extensivo de pesquisa, que durou mais de 10 anos, e afetou e muito sua vida particular. A ideia era contar ao mundo a história da mulher que doou tais células. A mulher que muitos achavam chamar-se Helen Lane, e muitos outros nem faziam ideia que existia. E isso envolveu entrar em contato com a família Lacks. E envolveu colocar a cara pra bater, e fazer todo o possível para ganhar a confiança da família, já cansada de jornalistas, cientistas e fraudadores em seus pés, sugando informações e deixando a família no escuro e desconfiada.

E talvez seja o tom pessoal que permeia toda a narrativa de “A vida imortal de Henrietta Lacks“, construída em múltiplos focos narrativos o que me encantou nesta obra. Rebecca não é apenas autora da obra, é personagem. Enquanto nos ensina sobre ciência, divisão celular, os intricados caminhos da pesquisa científica, ela nos apresenta aos herdeiros de Henrietta como ela os conheceu, sem mascarar suas personalidades, mesmo quando não são bonitas de ver, ou ler.

Com a história dos Lacks e de HeLa são levantadas várias e várias discussões sobre bioética, racismo, discriminação, práticas científicas e consumismo; discussões essas que merecem uma reflexão mais profunda do que uma simples resenha pode proporcionar.  Apesar de ser um livro denso, resultado de 10 anos de pesquisa, é também um livro humano, uma obra de não-ficção que prende pela história, como uma boa novela.

A Companhia das Letras caprichou na edição, sendo cuidadosa na tradução e na finalização do livro. A capa é um espetáculo à parte. Com uma textura aveludada (tecnicamente chamada de laminação soft touch), cores usadas para colorir células e a própria foto granulada de Henrietta, nos faz pensar tanto na mulher quanto em suas células imortais. Rebecca Skloot, por outro lado, recheou sua obra de extras, encontrados (em inglês) em seu  site: www.rebeccaskloot.com, que contém fotos, gravações, documentários, incluindo as vozes das pessoas da família Lacks.

Título original: THE IMMORTAL LIFE OF HENRIETTA LACKS
Tradução: Ivo Korytowski
Capa: Luciana Facchini
464 Páginas
Selo: Companhia das Letras

Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das Letras

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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