Sandman: A Casa de Bonecas

O arco “A Casa de Bonecas” (Sandman #9-16) tem duas das minhas histórias favoritas no universo Sandman. Com o Sonhar ainda se recuperando do tempo passado sem seu mestre, como contado em Prelúdios e Noturnos, Sandman agora tem um novo desafio. Após muito tempo surge um novo vórtice onírico. E, como diz Desejo, é uma mulher.  Antes de (re)visitarmos a história deste arco, um alerta: Nada, absolutamente NADA do que Gaiman coloca em seu roteiro está ali por acaso. Desde a música que as personagens cantam, ou ouvem, às conversas de bar, até o menor comentário aparentemente cretino de um personagem terciário está ali por acaso. Isto vale também para as imagens, que neste volume vêm das mãos de Mike Dringenberg, Malcom Jones III, Chris Bachalo, Michael Zulli e Steve Parkhouse.

O Prólogo, a primeira das 8 revistas do arco, é conhecido como Contos na Areia (Sandman #9). A narrativa de Contos na Areia se inicia num deserto, durante uma tradição tribal de transição da juventude para a vida adulta. Neste caso o jovem segue com seu avô para a parte mais árida do deserto, colhe deste deserto um fragmento de vidro – em formato de coração  – e ouve a história.

A história de Kaick’ul e Nada, de como o amor de um Perpétuo por uma humana devastou uma civilização. Guarde bem esta história. Pensando estritamente no arco ela parece fora de lugar, mas não é. Ela nos apresenta a uma reputação. A reputação de Desejo, que conhecemos só na revista seguinte (Sandman#10).

A linha narrativa da Casa de Bonecas começa e termina no Limiar, sua fortaleza. Desejo possui uma irmã gêmea, Desespero, e desejo e desespero permeiam as páginas e as revistas seguintes. Em Sandman #10 conhecemos também Rose Walker, a neta de Unity Kinkaid (lembra dela?). Enquanto isso, Lucien e Sandman se encontram no palácio do Sonhar. Lucien fora responsável por um recenseamento do reino. Resultado: quatro importantes ausências. Percebemos que Rose oscila entre a realidade e o sonho, e que estes interagem. Sabemos também que seu irmão Jed está desaparecido.

Na última página, o primeiro contato com o Coríntio, um dos sonhos desaparecidos. Corta. Segue-se “A Mudança” (Sandman #11).  Rose agora está na Flórida, em busca de seu irmão. Somos então apresentados aos seus companheiros de casa: Hal, Barbie e Ken, Chantal e Zelda, Gilbert. Neste número descobrimos que Brute e Glob habitam a mente  de Jed, enquanto seu corpo é duramente castigado numa espécie de porão. Brute e Glob controlam também um casal de super-heróis, que acreditam estar no verdadeiro Sonhar. O que desperta a ira de Morpheu e nos leva a “Brincando de Casinha” (Sandman #12).

É em “Brincando de Casinha” que Lyta Hall perde seu marido, mais um dos elementos plantados por Gaiman para seus arcos futuros. Jed é libertado de sua prisão particular e segue, sem saber, com o Coríntio para a Convenção dos Cereais.

Pausa para um interlúdio. “Homens de boa fortuna” (Sandman #13) vem para quebrar o senso de urgência e o thriller dos números anteriores. Somos lançados brutalmente para 1399. Esta é uma das minhas histórias favoritas de toda a saga. É a história de Robert Gadling, o homem que não quer morrer. Um acordo entre Sandman e sua irmã Morte lhe concede este desejo. Sandman e Hob Gadling devem, no entanto, se encontrar no mesmo dia, no mesmo local, a cada 100 anos. É uma versão do dia de vida de sua irmã. Através de Gadling, Sandman conhece a história da humanidade, seja por sua própria boca, seja pela conversa de bar à sua volta. É na taverna do encontro que Will Shakespeare faz seu primeiro contato consciente com Sandman, é lá também que este conhece Johanna Constantine, outros elementos de arcos posteriores. É também um dos traços mais bonitos de todo o arco.

Segundo ato. “Colecionadores” (Sandman #14), meu segundo favorito do arco, retorna à história de Rose Walker e sua busca por Jed. Ela e Gilbert vão parar no mesmo hotel onde uma sinistra convenção tem lugar. Uma convenção de colecionadores. Uma convenção de Serial Killers. Coríntio é o convidado de honra. É, como foi “24 Horas” no arco anterior, chocante. É uma demonstração de quanto o desejo está próximo do desespero.  A redenção se dá pelo encontro de Rose com Jed.

As duas últimas partes: “Noite Adentro” (Sandman#15) e “Corações Perdidos” (Sandman #16), tratam da manifestação do vórtice onírico. Vemos as paredes dos sonhos se dissolverem. A esta altura já está bem claro quem é o vórtice, e o que ele pode causar. O ponto alto desta narrativa são os sonhos de Barbie, Ken, Chantal, Zelda e Hal. Recheados de referências, desenhados em estilos diferentes, mostram o mundo oculto de cada uma destas personagens. Você sente o quanto a ruptura das paredes de seus sonhos os afeta mentalmente. Fica bastante fácil entender o temor do mestre dos Sonhos. As últimas páginas trazem o sacrifício final de Unity e o confronto entre Sandman e Desejo que fecham o círculo do limiar. Fica a pergunta: Quem são as bonecas nesse jogo de realidades?

Semana que vem a gente volta com Terra dos Sonhos, não percam!

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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6 respostas para Sandman: A Casa de Bonecas

  1. George Luiz disse:

    Sandman é sem duvida,um dos melhores quadrinhos já inventados.Parabens pelo otimo blog.
    Visite o meu!
    http://juventudeinformada.blogspot.com/

    Abraços

  2. Anica disse:

    Homens de boa fortuna!! Tá aí uma história que SEMPRE indico para quem quer ter só um aperitivo de Sandman antes de começar a ler a série toda. É muito, muito legal.

    Colecionadores também é ótima. E eu acho que o arco funciona para já criar uma antipatia automática por Desejo. Detesto Desejo, de todos os Endless ¬¬’

  3. Alisson B. disse:

    Ah, Homens de Boa Fortuna, realmente, que história elegante.xD
    Junto com Três Setembros e Um Janeiro formam um par de histórias que eu posso posso reler trocentas vezes, sem que se perca nadica do brilho.

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