The Hound of the Baskervilles – Sir Arthur Conan Doyle

É complicado falar de Sherlock Holmes, o personagem, para um público expert no assunto. Os usuários do fórum Meia Palavra volta e meia retomam o tópico, e não são poucos os que leram todos os 72 volumes que somam a sua história. Eu não sou um deles, e The Hound of the Baskervilles (O Cão de Baskervilles) ((Download grátis disponível na Biblioteca Meia Palavra)) foi meu primeiro contato literário com a obra de Sir Arthur Conan Doyle e seu mais famoso personagem.

Digo contato literário pois adaptações para cinema, quadrinhos e outras mídias de sua obra não me são nem um pouco estranhos. Bem como o Sherlock Holmes do imaginário popular, aquele ser que fica em seu escritório ruminando fatos, enquanto seu fiel companheiro – mais assemelhado a um cachorrinho – dá material para sua introspecção genial.

Talvez por isso eu tenha tido sorte de ler este livro após ver a versão Guy Ritchie de Sherlock e Dr. Watson. Esta versão foi para mim uma importante quebra de paradigmas, e me ajudou a embarcar na obra sem alguns preconceitos comuns a quem já ouviu falar do detetive, mas nada leu de suas obras. E fui recompensada por um Sherlock aventureiro mas nem tanto, e um Dr. Watson bem atlético, e muito mais inteligente do que a imaginação popular parece entender.

Como nas obras que envolvem outro grande detetive, Sr. Hercule Poirot, quem narra a história é o amigo fiel. Sir Conan Doyle nos mantém interessados na sequência dos acontecimentos, agregando verossimilhança ao relato do personagem-narrador, ao alterar frequentemente o foco narrativo. Ora Watson nos fala de memória, ora apresenta cartas e trechos de seu diário para ajudar-lhe com os fatos, e ora fala como se de corpo presente estivesse.

O relato ora em retrospectiva, ora no calor do momento, ajuda a construir a atmosfera sombria que é o grande marco de “O cão de Baskervilles”. O desconforto do personagem é transmitido ao leitor, assim como suas frustrações, seus medos e sua linha de raciocínio. É possível acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e estes têm a capacidade de envolver o leitor a tal ponto que em alguns momentos este deixa para trás aquele que é um dos reflexos mais conhecidos da leitura de obras de detetive: tentar descobrir o mistério antes do fim do livro.

Outro ponto que contribui para o envolvimento do leitor são as descrições, tanto de personagens quanto de ambientes. Mesmo sendo breves, as informações descritivas estão colocadas em partes estratégicas da história, quase como personagens em si. Não reconheci uma descrição dada ao acaso, sendo que todas partem da boca de um personagem, e refletem claramente suas reações emocionais quanto ao local ou pessoa descrito. Desta maneira, Conan Doyle é feliz em dar asas à imaginação do leitor e dominá-lo à sua visão, ao mesmo tempo.

Fiquei especialmente feliz com a construção da cena final, com o famoso retrospect. Ela se dá de maneira bem mais natural do que eu esperava, e atinge seus objetivos sem parecer forçada. E a genialidade de Holmes, realmente inegável, toma ares de uma longa preparação e estudo na área de criminologia, quando este nomina conceitos “básicos” para um bom detetive.  Um livro a ser lido sem pré-conceitos, para poder ser apreciado em sua beleza.

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Uma menina com histórias pra contar...
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