Um Conto de Natal (Charles Dickens)

Você já deve ter ouvido falar de Ebenezer Scrooge, um dos símbolos da avareza na literatura. Ele emprestou seu nome ao Tio Patinhas (Scrooge McDuck). Sua história já foi contada tantas vezes e de tantas maneiras, que não conheço alma viva que nunca tenha ouvido falar do protagonista deste conto (novela?) de Dickens.

Scrooge lhe é um nome desconhecido? Pense em quantas vezes uma história em que um protagonista com um defeito tido como irremediável foi visitado em uma noite por três fantasmas e mudou da água pro vinho. Soou familiar? Culpa da genialidade do Dickens.

Eu conheço o “plot” desde criança, desde a adaptação da Disney, com o próprio Tio Patinhas no papel principal. E talvez por isso, à primeira vista, não tenha me surpreendido com o Conto de Natal (no Original “A Christmas Carol” ((Download disponível na Biblioteca Meia Palavra)) ). A obra me pegou de jeito lá no finzinho do primeiro capítulo. Quando me dei conta da quantidade de símbolos envolvidos na prosa de Dickens.

A parte sobrenatural da história se inicia com a visita de Marley, sócio de Scrooge, morto há sete anos. O encontro com aquele que foi seu igual dá início à noite que mudará a vida do avarento Scrooge, é o início da viagem única que ele faz para dentro dele mesmo. Porque, em minha opinião, é isso que os Fantasmas fazem. Levam Scrooge a uma dolorosa viagem de autoconhecimento.

Os Fantasmas mostram ao nosso (anti) herói como suas atitudes afetam as outras pessoas, como ele é aos olhos dos outros.  E  engraçado é que quem convive com o velho ranzinza – como o escriturário Bob e seu sobrinho, vítimas constantes de sua avareza e mesquinhez –  não lhe querem mal algum. Eles vêem o que Scrooge deixa passar despercebido: a própria solidão que ele enfrenta.

Scrooge é uma personagem ao mesmo tempo caricata e extremamente humana, daqueles que se acostumou ao próprio jeito e se fechou para o mundo exterior, preso às próprias manias. Sua própria forma física dá deixas de sua personalidade, recurso ainda hoje explorado na literatura.

Já caracterização dos Fantasmas do Natal passado, presente e futuro é um espetáculo à parte. Digo espetáculo, pois considero A Christmas Carol uma obra visual. As descrições de Dickens nos dão uma ideia exata de como é a cena.  Se o leitor tiver uma imaginação fértil, tanto melhor. A prosa de Dickens é perfeita para quem gosta de viajar enquanto lê.

Seu tom informal colabora muito para isso. Ele é daqueles autores que Conta uma história, como se estivesse numa sala de estar, junto de uma bandeja com café, charutos e conhaque, depois de uma excelente ceia de Natal.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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2 respostas para Um Conto de Natal (Charles Dickens)

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