Os anagramas de Varsóvia (Richard Zimler)

Falar sobre “Os anagramas de Varsóvia” não é algo exatamente fácil. A começar pelo período abrodado. A ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial é  um tema delicado, e  uma de suas facetas mais duras é o encarceramento de judeus em guetos. E é no gueto de Varsóvia que Erik Cohen conta sua história a Heniek Corben.

Erik retorna à casa de sua sobrinha Stefa, como um ibbur ((palavra em iídiche que significa – segundo o glossário do próprio livro – fantasma)), após sair do Campo de Concentração, em 1941.  Heniek é o único a vê-lo, e Erik parece determinado a contar sua história, antes de se desprender por completo do mundo dos vivos.

E sua história não é fácil de ser ouvida. Erik decide viver com sua sobrinha e seu sobrinho-neto no gueto para poder escolher quem ficaria com sua casa na cidade. Sua sobrinha Stefa e seu sobrinho-neto Adam são quase estranhos, mas a dinâmica da vida no gueto os aproxima, criando laços de afinidade bastante fortes. E é exatamente quando a relação entre tio e sobrinho está em seu ápice que Adam é encontrado morto e mutilado nas grades que separam o bairro judeu da Varsóvia cristã.

E é com o coração devastado pela dor que Cohen toma por missão descobrir o assassino de seu sobrinho, auxiliado por seu amigo Izzy. Conhecemos assim, junto com o narrador, os pequenos segredos da sobrevida no gueto de Varsóvia, como o uso de anagramas.

“Os anagramas de Varsóvia” se encaixa na descrição de meta-ficção. É um livro ditado por um espírito a uma personagem, que às vezes decide não seguir a vontade do narrador, e toma a liberdade de anotar a obra que lhe é confiada com suas próprias observações. Heniek faz sua própria investigação, e a destila aos poucos no decorrer da obra, que somente a deixa mais interessante.

Apesar de não ser exatamente uma técnica nova, Richard Zimler a utiliza com maestria. É um romance no qual a intuição do leitor pode levá-lo longe. É, como minha definição de bons romances dita, um livro em camadas, que pode ser aproveitado de várias maneiras, e quanto mais atenção se dá aos detalhes, mais deles se aproveita.

Mas o melhor d’Os Anagramas.. está em seu final. Ele surpreende por sua força e por sua originalidade. E abre caminho para outras milhares de perguntas sobre as entrelinhas, esta que é, para mim, mais uma marca de um romance de qualidade.

Os Anagramas de Varsóvia

Richard Zimler

Tradutor: Daniela Carvalhal Garcia

Editora: Record

Páginas: 378

Ano: 2010

Preço sugerido: R$ 49,90

DISCUTA ESSE ARTIGO NO BLOG MEIA PALAVRA

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

Anúncios

Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
Esse post foi publicado em Literatura, Resenhas e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s