Terra Virgem – Philippa Gregory

John Tradescant (1608-1662), jardineiro real, é incumbido da tarefa de coletar novas amostras de plantas na Virgínia. Mas essa viagem não é apenas um trabalho. É uma oportunidade, que ele agarra com unhas e dentes, de se recuperar da morte de sua esposa Jane. Ao chegar no Novo Mundo, lhe é designada uma jovem menina da tribo powhatan como guia. Com ela, ele conhece muito mais do que apenas novas plantas, ele conhece um estilo de vida completamente diferente.

“Terra Virgem”, de Philippa Gregory é o que podemos chamar de biografia romanceada de John Tradescant, the younger. Ela descreve sua vida desde essa primeira viagem ao Novo Mundo, passando por todo o estresse político da revolução de Cromwell. Mas não é a acuidade histórica que impressiona na obra de Philippa, cujos livros anteriores – traduzidos para o português – tratavam da dinastia Tudor com igual destreza.

Também não é a descrição dos costumes índios e ingleses de meados do século XVII, ainda que sejam um grande ponto a favor do livro. O que impressiona mesmo em “Terra Virgem” é o grau de humanidade que Philippa Gregory consegue incutir em seus personagens, reais ou não. Seja a lealdade vacilante de John Tradescant, o pragmatismo de Hester, a honradez de Johnny, o coquetismo de Frances, ou mesmo o caráter caprichoso do rei, nada é jogado ao acaso nem soa fora do lugar.

A vida das personagens, como as nossas, é moldada por suas decisões. Elas definem os novos passos de cada um deles, e vemos claramente a mudança das personagens por conta de suas decisões. E as decisões de John são, de certa forma, guiadas por mulheres. A decisão de fugir da dor da morte de Jane, indo para um mundo desconhecido deixou marcas profundas em sua personalidade, seu contato com a índia Suckahanna mostrou-lhe uma nova maneira de viver,  assim como sua segunda esposa, Hester.

Vale dizer que eu, ignorante que sou, achei durante a leitura que as personagens principais fossem fictícias, usados como peões para mostrar como os acontecimentos que culminaram com a vitória de Oliver Cromwell teriam afetado as vidas das pessoas comuns da Inglaterra dos Stuart. Saber que a maioria das personagens são históricas só me fez admirar mais o talento desta autora que, desde a “Irmã de Ana Bolena”  garantiu, junto com Cornwell, um lugar  de honra nas minhas prioridades literárias.

É um livro grosso, mas fluido. Logo às primeiras páginas me identifiquei com as personagens, e mal consegui tirar os olhos das páginas. Algo que vale a pena ser lido, e que atiça a curiosidade para saber mais um pouquinho da história da Inglaterra e do Novo Mundo. Recomendo fortemente.

Título: Terra Virgem

Autora: Philippa Gregory

Tradutora: Ana Borges

Editora: Record

Páginas: 644

Preço sugerido: R$ 64,90

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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