Aprender Idiomas – A visão da estudante

Se tem algo que gosto de estudar é um novo idioma. Comecei no colégio mesmo, com o inglês básico, fiz francês, espanhol, e agora estou estudando alemão. É mais um dos meus vícios. E neste entra e sai de escolas de idiomas, notei que muita gente tem dificuldade de aprender uma outra língua. O que me inspirou a fazer esse post. São 10 dicas, coisas que me ajudaram a aprender todos os idiomas estrangeiros que hoje sei. Quem sabe funcione para o leitor também, não é?

1. Conheça seu próprio idioma.

O aprendizado de um novo idioma nos leva diretamente aos nossos primeiros anos de escola. Iniciamos analfabetos. Aprendemos o abecedário, os números, os cumprimentos. E um bom aprendizado de idiomas precisa de uma boa base gramatical. Facilita muito saber como se constrói uma frase em português, por exemplo. Saber quem é o sujeito, o que é predicado, a diferença entre frase e oração, adjetivos, advérbios, tempos verbais, etc. Essa nomenclatura, algo banal mesmo, é fundamental para entender o raciocínio por trás do idioma estranho.

2. Se interesse pela cultura do país.

A linguagem está intrinsecamente ligada à cultura de um lugar, ou de um povo. Conhecer a história deste lugar, um pouco que seja, pode ajudar a entender o porquê de um idioma usar tal ou tal raiz; saber qual idioma deu origem à língua estudada ajuda a entender sua gramática. Mas mais que isso, se interessar pela cultura do país implica descobrir algo sobre este lugar que te agrade. Pode ser a culinária, a literatura, a música, o cinema, os blogs, vídeos no YouTube, a história. Ou adaptar seus gostos à essa cultura.

Exemplifico: gosta de ler? busque um autor que escreva no idioma que você está aprendendo, leia sobre sua vida, e tente ler sua obra no original. Está no nível básico? Para isso servem as versões resumidas. Gosta de música? Pergunte no Twitter se alguém conhece alguma banda boa de um artista daquele lugar. Busque os vídeos no YouTube, leia as letras, mesmo sem entender nada. Preste atenção em como o vocalista pronuncia as palavras. Sua paixão é culinária? Busque a palavra “receitas” no dicionário e jogue no Google. Tente ler a receita, tente FAZER a receita.

Esses pequenos atos ajudam a se interessar pelo idioma, a “tomar gosto pela coisa”. E a emoção de finalmente entender aquela letra, aquela frase, ou acertar aquela receita são excelentes motivadores.

3. Ouça o idioma.

Parece simples, mas pode ser desesperador. O ouvir o idioma é: pegar o CD da apostila e ouvir, deixar a TV ligada num canal do pais e tentar entender o que está falando e, no início, se desesperar porque não está entendendo lhufas. Mas insista. Ouça. Se tiver audiobooks ou legendas no próprio idioma, melhor ainda. Para falar corretamente, é preciso ouvir com atenção.

4. Estude fonética.

Além de ouvir com atenção, uma coisa que me salvou no estudo de idiomas foi entender um pouquinho de fonética. Não, não é necessário saber todos aqueles símbolos da fonética, aceitos mundialmente, a não ser que seu objetivo seja lecionar. Anote os fonemas do idioma que você está aprendendo. Se eu= oi (exemplo do alemão), se eu=ê (exemplo do francês). Anote com calma, e anote todos, mesmo que pareçam muito com o português. Leia em voz alta um texto usando a lista como apoio. Haverá exceções, sempre há, mas no geral, você terá uma boa ideia de como se fala aquela palavra.

5. Aprenda a usar o dicionário

Essa talvez seja a dica mais importante. O dicionário é uma ferramenta poderosa no aprendizado de outras línguas. Ele traz muitas informações úteis além do significado da palavra: diz seu gênero, sua fonética, seu grupo gramatical e em alguns casos até mesmo a formação do plural. Não passe por cima daquelas letrinhas antes do início do verbete em si. No início de todos os dicionários nos quais pus a mão consta uma lista das abreviações usadas na obra. É ela que vai te orientar. Pegue uma palavra fácil, conhecida, e pesquise por ela, só como teste.

6. Faça relações.

Procure relacionar as palavras novas com frases conhecidas, aprenda o adjetivo com seu contrário. Preste atenção no que é parecido, e no que é muito diferente. Relacione com algo que use no dia a dia. Brinque com os amigos, incluindo aquela palavra que você quer aprender no meio de uma frase na língua materna. Comente com alguém o fato de aquela palavra ser feminina num idioma, enquanto em português é masculina. (Por exemplo, sabiam que “Sol” em alemão é “a” Sol?).

7. Não traduza tudo ao pé da letra

A linguagem é nossa maneira de expressar nossos pensamentos. E culturas diferentes geram pensamentos diferentes. Assim como algumas expressões correntes no Brasil não têm nenhum sentido se traduzidas literalmente para outra língua, o contrário também ocorre. Por isso, ao aprender um idioma, muito mais vale entender o sentido da expressão do que o significado de cada palavra. Pois, como Schopenhauer já  havia notado, as palavras nunca tem exatamente o mesmo significado de seu sinônimo em outro idioma. Elas compartilham um sentido em comum, mas não significam exatamente a mesma coisa. Por isso, ao invés de traduzir, tente pensar no idioma estudado.

8. Arrisque-se.

Fale em voz alta. Não tenha medo de errar, principalmente se estiver em sala de aula. Aprendemos muito mais com nossos erros do que com nossos acertos, esse é um clichê que contém uma boa parcela de verdade. Falar errado na sala de aula é ganhar a oportunidade de ser corrigido, para falar certo numa situação real. Pergunte coisas relacionadas ao tema estudado. Se aprendeu sobre a família, pergunte como se fala cunhada ou sogra. Se estão aprendendo os móveis, pergunte o nome de um objeto que você tenha em casa. Formule mensagens no twitter. Mande SMS naquele idioma. Alugue um filme desconhecido pelo idioma falado. Faça pesquisas no Google.

8. Faça um caderno.

Mas faça mesmo. Use um bloco de notas ou a própria apostila para anotar as coisas durante as aulas, mas aproveite uma folguinha para passar um caderno a limpo. Nele, organize suas ideias, conjugue os verbos mais importantes, faça lista das palavras que aprendeu em aula, bem como expressões importantes, de um jeito que você entenda. Transforme-o num memorando, em algo fácil de consultar em caso de dúvidas. Assim, além de praticar a escrita, você tem um material do seu jeito que pode ser levado além da aula.

9. Mude o idioma de aplicativos.

Você conhece seu celular, sabe de cor e salteado onde são os botões para as principais funções? Troque o idioma dele. Aproveite e troque o idioma de seu Facebook, Orkut, caixa de emails e instalação de programas fáceis para aquele que você estiver estudando. Essa é uma das maneiras mais fáceis de se manter em contato com a língua estrangeira. E é divertido.

10. Se divirta.

E se divirta. Finja que voltou pra escolinha primária e desenhe as palavras; use canetinhas coloridas; ria de seus erros. Aplique o que você aprendeu em sala de aula em coisas que você goste de fazer. Veja desenhos animados dublados naquele idioma. Faça jogos com seus colegas de classe. Quando o estudo diverte, a gente acaba aprendendo mais.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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4 respostas para Aprender Idiomas – A visão da estudante

  1. Mi Müller disse:

    Ah mas que dicas preciosas eu voltei a estudar inglês e francês com seriedade e sei bem como elas são importantes, para mim a que mais fez diferença foi começar a ler, e escutar mesmo quando não entendia nada de nada, hoje já consigo ler e entender muito do que foi dito, mas ainda chego lá.
    estrelinhas coloridas…

  2. Pingback: Meia Palavra » Blog Archive » Restrospectiva Meia Palavra

  3. **Maniaca do Miojo** disse:

    O meu problema é a pronúncia do francês, sai cada coisa xD
    E tb o caso 7, tenho a mania de querer traduzir palavra por palavra para formar a frase ><

    • Kika disse:

      Mas isso é com o tempo mesmo…e pronúncia no francês não tem muito segredo. os fonemas são praticamente os mesmos para todas as ocasiões (mesmo). O mais chato é lembrar de quando pronunciar o final da palavra (quando a próxima começar em vogal) e o ent não pronunciado no final dos verbos. Uma dica… Cyprien.fr (um vlogger famoso por aquelas bandas, mas que tem uma pronúncia bem boa de jornalista).

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