Em busca de Merlim (Adam Ardrey)

Arthur, Merlim e companhia já fazem parte do inconsciente coletivo.  Todo mundo que eu conheço sabe algo sobre a lenda, de Avalon, de Camelot, Lancelot e Guinevere, e já viu/leu/ouviu falar de pelo menos UMA obra sobre o assunto. Nenhuma delas é igual à outra,  não se chega a um acordo sobre quando aconteceu, se Arthur era rei ou só um guerreiro, se Lancelot realmente traiu seu companheiro, se Merlim era mago ou druida. São tantas versões, que fica fácil acreditar que tudo isso seja só lenda mesmo, talvez com um pinguinho de verdade.

Eu acho as narrativas arturianas fascinantes e já havia lido duas versões: A de  Marion Zimmer Bradley,  com “Brumas de Avalon” e a hoje famosa trilogia de Bernard Cornwell, “Crônicas de Artur”, além de ter visto vários filmes. Isto bastou para me interessar pela obra de Ardrey.

Antes de começar a falar efetivamente de “Em busca de Merlim”, é preciso que uma coisa fique bem clara: Adam Ardrey não é historiador. Pelo menos não de formação . Ele é advogado. É importante fazer a distinção, pois algumas críticas que li sobre o livro  (como esta) podem levar à uma análise da obra que não convém.

“Em busca de Merlim” já começa polêmico,  uma vez que seu Merlim e seu Arthur são escoceses – ou melhor, britões da Escócia – e sua história se passa nos arredores de Glasgow. Eles teriam vivido no século VI, seriam pagãos e lutariam contra Anglos e cristãos, que depois se apropriariam de sua lenda. Merlim seria um druida poderoso,  teria um nêmesis no monge cristão Mungo  e uma irmã gêmea, Languoreth, que seria rainha. A narrativa de Ardrey  é fluida e coerente, e ele procura colocar os pingos nos is e explicar com detalhes cada fase da vida de seu personagem principal.

Pela composição do texto, sua principal fonte é Jocelyn, um monge medieval que escreveu sobre a vida de Mungo, abertamente alterando suas fontes para deixar sua obra do agrado de seus superiores. Ele usa também um autor da época onde ele colocou os acontecimentos, Gildas, e outro autor medieval, Geoffrey; além de vários arquivos das cidades e mapas e etc. A verificar pela bibliografia, a pesquisa realmente foi vasta.

Apesar de interessante ao extremo, tive dificuldades de aceitar “Em busca de Merlim” como um livro histórico, de não-ficção.  Considerando apenas o texto final, fica bem claro para mim, que me formei em Direito, que Ardrey usa uma metodologia científica de investigação, bem própria do advogado. Ele parece manipular suas fontes para caberem em sua teoria, como um jurista faria montando um caso com provas circunstanciais.

Sua linha de raciocínio é interessante, mas me parece tendenciosa, descartando certas coisas por “serem impossíveis”, por “não fazerem sentido” ou “como um completo absurdo”, sem dar maiores explicações. Usa de uma interpretação textual vigorosa, mas suas fontes “primárias” já estão traduzidas.

Mas, uma vez que eu deixei de lado a pretensão de estar lendo um livro histórico, eu me diverti, e muito, com esta versão da história de Merlim e Cia. Vale a leitura.

Em busca de Merlim (título original Finding Merlim)

Autor: Adam Ardrey

Tradutor: Rafael Aragon Guerra

Páginas: 380

Preço sugerido; R$ 49,90

Editora Record

Saiba mais sobre essa e outras obras no site do Grupo Editorial Record

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Uma menina com histórias pra contar...
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