Matthieu Chédid (-M-)

Você já gostou de uma banda que todo mundo que você conhece odeia? Eu já. Ou pelo menos é essa a sensação que tenho toda vez que resolvo falar de -M-. Tá, talvez quase ninguém conheça mesmo. Pelo menos não aqui.

Matthieu Chedid, e seu personagem -M-, parecem ser grandes na França, e -M- já ganhou inclusive um Oscar pela canção de “Triplettes de Bellevile”. Eu conheci por acaso, vendo seu clip de “Je dis aime” no programa “Paroles de clip” no TV5Monde, e desde então procurei pelo cara na internet, em lojas, enfim, em tudo quanto é lugar. Tente fazer uma pesquisa de uma letra no Google, e entenderá meu sofrimento.

Quem me conhece sabe que sou fascinada por (quase) tudo que se refere à França, mas mesmo quando estava aprendendo o idioma tive dificuldades em achar, musicalmente falando, algo atual,vindo de lá, que me agradasse. Num dia um pouco mais obstinado, finalmente reencontrei-me com -M- no YouTube, e desde então estou mais ou menos obcecada. Vou tentar explicar o porquê, e peço desculpas antecipadamente pelos arroubos passionais que tenho certeza que aparecerão.

Matthieu Chédid tem 38 anos, é filho de Louis Chédid (outro cantor francês) e neto da poetisa francesa de origem egípcia Andrée Chédid, e foi namorado de Audrey Tautou. Para controlar sua timidez, Matthieu criou uma persona excêntrica, apelidada de -M-, que se refere tanto à letra do alfabeto, quanto à palavra francesa aime. Seu primeiro álbum é seu batismo, literalmente.

-M- possui um visual ousado, com cabelos pontudos e trench coats espalhafatosos. Em termos de sonoridade, ele é um camaleão. Numa faixa M é rock, na outra brega, depois flerta com a música africana, com o eletrônico, a bossa nova, o que talvez justifique o nariz torcido que as pessoas me mostram quando, empolgadíssima, mostro um clip novo dele para alguém. Mas mesmo tendo este lado “tudo ao mesmo tempo agora”, seu estilo é muito característico. Sua voz é única, seu jeito de tocar guitarra, reconhecível.

Mas o que me pegou de jeito mesmo foram as letras. Sua poesia aborda desde a própria criação do personagem (Le baptême), ao ecoativismo (Bonoboo), passando pelo humorístico (Matchistador), pela crítica social (Mama Sam, Monde Virtuel), autocrítica (Je suis une cigarrette), amor (La belle étoile), desejo (Lettre à Tanagra), carinho (Ma mélodie), um temperinho de metamúsica (Qui de nous deux), filosofia (Est-ce que c’est ça?), à poesia pura (L’Éclipse, este em parceria com Sean Lennon).

Como poeta, seu jogo de palavras e sonoridades em francês me lembra muito o que João Bosco faz com o português, com frases de múltiplos sentidos e um som, e é uma fonte de bons versos e boas reflexões. Com risco de perder sua genialidade em minhas traduções, seguem alguns trechos de músicas dele:

“J’ai une tendancieuse nostalgie du futur” (Souvenir du futur)
Tenho uma nostalgia tendenciosa do futuro)

“Est-ce qu’il faut pour de vrai
Qu’ça sonne faux” (Ça sonne faux)
Será que se deve, para ser verdadeiro, que soe falso”

Après quoi on cours?” (Est-ce que c’est ça)
– Atrás do que corremos?

“Souviens-toi de demain, il ne roulera qu’une fois
C’est pas pour hier que demain s’oubliera
J’ai la mémoire courte
Mais le futur ne s’oublie pas” (Souvenir du futur)

– Lembre-se do amanhã, ele só acontecerá uma vez. Não será por ontem, que o amanhã se esquecerá. Eu tenho a memória curta, mas o futuro não se esquece.”

E, para aquele que chegou até aqui, e se interessou por esse personagem marcante, um bônus: “Est-ce que c’est ça

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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10 respostas para Matthieu Chédid (-M-)

  1. Gosto demais da trilha das Bicicletas de Belleville. Vou ir atrás desse cara pra ouvir mais.

  2. Gosto demais da trilha das Bicicletas de Belleville. Vou ir atrás desse cara pra ouvir mais.

  3. Lucy disse:

    Eu AAAAMMMOOOO Matthieu e posso entender totalmente o seu entusiasmo quanto à ele. O cara é absolutamente incrível e não é necessariamente preciso ser francófilo para admirar o que ele faz! Espero que você já tenha assistido En Tète A Tète, o dvd do show que ele gravou em 2005. É simplesmente o melhor show que eu já vi, de qualquer um, de qualquer lugar. Não há um momento chato com -M- no palco!

    O novo album Mister Mystère é muito bom também, e o Youtube está cheio de trechos da nova tour, vale (e muito!) à pena ir atrás mesmo!

  4. Kika disse:

    Eu vi o show sim, e (enfim) fui pra França e fiz a festa na Fnac (comprei TODOS os CDs dele…. ^^) só queria ter estado lá pro começo da tour, mas não deu… Vc já viu a colaboração dele com o Sean Lennon? e com a Vanessa Paradis?

  5. Lucy disse:

    Oi Kika! Que beleza, quem me dera poder ir a França e trazer tudo dele de lá! 🙂 Todos os cds são muito bons, né? Eu sou fã de muita gente boa, mas é difícil encontrar um artista tão consistente com seu trabalho quanto o Matthieu, a grande maioria do que ele faz é bom! 🙂

    Curti muito o L’Eclipse com o Sean, adoro o video da música! Espero que façam mais coisas juntos, eles combinam bem! 🙂

    O trabalho dele com a Vanessa eu estou começando a ouvir agora, e estou simplesmente amando! Divinidylle é fantástico, gostei de todas as músicas, em especial “Les Piles” e “Dès que je te vois”. Dá pra sentir o dedo dele em todas as músicas, é a marca de um bom produtor!
    Ah, vc já viu Le Soldat Rose? Imperdível! 🙂

  6. Kika disse:

    Eu trouxe o Soldat Rose junto comigo tb….tão lindo né? mas ainda não tive chance de ver o dvd, só alguns videos soltos. Vou comprar assim que meu cartão me der uma folga…hehehe

  7. Lucy disse:

    Eu não comprei o dvd ainda, baixei da internet (shame on me! :P), mas com certeza vou comprar! É lindo mesmo, vc vai amar! É legal poder ver tanta gente da família junto tb, tem o Louis fazendo a pantera de pelúcia, a Anna e a Emma cantando no coro, e a Céline Bary (a famosa Céline Attendue que é a mãe da filhinha dele), faz a noiva do Soldat Rose. Uma delícia do começo ao fim! 🙂

  8. Bia disse:

    AMO! E entendo sua frustração quanto às pessoas não “entenderem” bem sua música. Talvez seja só a distância da língua. Concordo plenamente sobre as letras. Poesia pura! Conheci o Matthieu através da Vanessa, há uns 3 ou 4 anos, e o acompanho desde então. Sou fã!

    Ps: Parabéns pelo Blog. Temos em comum o gosto pela literatura. 😉

  9. Kika disse:

    Pois é…comigo foi o contrário..conheci a Vanessa através do -M-, mas que bom saber que não estou sozinha….hehehe

  10. Pingback: La boîte à pensées: Ne le dis à personne et d’autres vidéos.

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