A dançarina e o rubi – Barry Unsworth

Esta é uma história de enganos, preconceito, sensualidade e choque de culturas. A história de Thurstan Beauchamp se passa num período turbulento da Sicília, recém-conquistada pelos normandos, e habitada por sarracenos, gregos, bizantinos, italianos e franceses. A segunda cruzada acabou e foi um verdadeiro fracasso.

THurstan é um funcionário do rei Roger, um jovem católico, filho de pai normando e mãe inglesa.  Seu cargo, ao menos nominalmente, é de “provedor do rei”,  ou seja,  responsável pelo entretenimento da corte, por trazer novas atrações para animar a mesa real. Mas o Diwan (nome árabe para Douana) em que trabalha possui outra função, mais escusa.  É o órgão responsável por prestar os serviços de que o rei precisa, mas que não pode solicitar abertamente, como o pagamento de subornos e informantes.

E é no cargo de pagador, e não de provedor, que Thurstan está investido quando conhece a dançarina Nesrin e seus companheiros anatolianos, cuja dança do ventre fascina a todos.

Escrita em primeira pessoa, numa prosa em princípio bastante confusa, “A dançarina e o rubi” lembra muito o estilo que usamos para contar nossos ‘causos’ aos amigos. Começamos de um ponto indistinto pelo meio da história, esquecemos pedaços que incluímos depois, abrimos milhares de parênteses, a ponto de, às vezes, perdermos a atenção de nosso interlocutor.

Eu confesso ter perdido algumas vezes o fio da meada, e me irritei várias vezes com Thurstan, achando-o  um idiota ingênuo, crédulo, frívolo e manipulável, incapaz de ver a extensão da crise que assola seu país, mesmo com todos os indícios em suas mãos. Ao mesmo tempo, me dei conta que, mesmo sendo um personagem com quem eu não tenha me identificado, Thurstan é muito bem construído, e causa uma forte impressão, com suas qualidades e suas falhas, e eu devo esse crédito ao autor.

Mas a confusão do texto, aliada à uma expectativa errônea que tive ao ler o título, me deixou um pouco decepcionada. Acredito que o título não condiz com o que realmente importa nesta história, sendo tanto a dançarina quanto o rubi meros coadjuvantes da jornada truncada do personagem principal.

No entanto, uma vez passado o dissabor, a história se mostra uma boa comédia de erros, um bom retrato do preço que o preconceito e a intolerância cobram de uma nação.


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Uma menina com histórias pra contar...
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