O Lobo das Planícies e Os Senhores do Arco – Conn Iggulden

Confesso, como fã incondicional da narrativa de Bernard Cornwell, que estava bem pouco à vontade quando comprei estes dois volumes da série “O Conquistador”, para dar de presente ao meu irmão. Foi preciso que a vendedora na livraria insistisse para que eu levasse, e que meu irmão os pusesse na minha bolsa e dizer, categórico: Leia!, para que eu finalmente conhecesse a narrativa de Conn Iggulden.

Devo dizer que a história tinha tudo para cair no meu gosto como leitora. Uma releitura da vida de um grande líder guerreiro – Gengis Khan – numa narrativa historicamente possível (usando o jargão da Anica), com uma nota histórica riquíssima no final. Resolvi atravessar meu fanatismo por Cornwell, e meu preconceito, e dar uma chance ao autor.

O primeiro livro traça o caráter de Temujin (futuro Gengis), construído a ferro e fogo pelas planícies frias da Mongólia, as lutas entre as tribos e as consequencias da morte prematura de seu pai. No segundo livro a nação mongol toma forma, e a brutalidade, ainda que não ausente, dá lugar à estratégia, tanto de guerra, quanto do governar. A trajetória de Temujin é enriquecida com uma bela descrição do cenário e dos costumes da vida tribal, das viagens pelas planícies e da apurada técnica dos arqueiros montados, que fizeram a glória dos Khan.

Em ambos os livros, no entanto, a base da narrativa não são as batalhas, mas a família. O Lobo das planícies é feito dopragmatismo de sua mãe, Hoelun, da sagacidade, força e inteligência de seus irmãos Khasar, Kachiun e Temuge, da inveja pelo irmão mais velho Bekter, do amor por sua esposa Borte. Eles nos ajudam a entender o temperamento e as decisões do cã.

E mesmo assim, é bastante difícil explicar racionalmente como reagi ao ler o livro. Foi algo visceral, bem além do “eu” intelectual que analisa o que lê. O livro me carregou para o mar de capim, me transformou num guerreiro numa nação prestes a nascer. Me vi treinando o “rosto frio”, aceitando mortes cruéis e brutais como justas, e torcendo pelo meu cã.

Eu sentia raiva quando Gengis sentia raiva, orgulho quando a nação vencia uma batalha, nojo diante da fraqueza e covardia de alguns homens, desconfiança na nação inimiga. Durante as 800 páginas dos dois volumes eu fui um deles, imaginando o gosto de leite com sangue, do airag preto e a fumaça dentro das iurtas.

E depois de muito relutar em fechar este livro pela última vez, aqui estou eu, esperando meu irmão terminar o terceiro volume, e voltar para as planícies geladas da Mongólia. Bem que a capa avisou: “Leia-o antes de Hollywood levá-lo às telas”

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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2 respostas para O Lobo das Planícies e Os Senhores do Arco – Conn Iggulden

  1. Gabriel Lucas disse:

    Ainda acho que que Iggulden é Cornwell! 🙂

    Os livros dele (Iggulden) sobre Júlio Cesar são tão bons quanto!

  2. Alaine Cristine de Meira disse:

    Interessante, vou adiciona-lo na minha lista.

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