Série Pecados Capitais – AVAREZA

AVAREZA:

Do latim avaritia, Avareza significa, segundo o confiável Aurelião, 1.Excessivo e sórdido apego ao dinheiro; esganação; 2.Falta de generosidade; mesquinhez, ou ainda 3.Fig.Ciúme, zelo. É conhecido por ser um dos sete pecados capitais e foi imortalizada na figura de Ebenezer Scrooge, do famoso conto de Dickens.

A avareza é um bom inicio para esta série de pecados capitais. Passamos as  últimas semanas relembrando histórias e livros que tratam do assunto ou de alguma forma tem um personagem avarento. Um texto clássico é a peça “O Avarento” de Molière, representada pelo grande Paulo Autran, que infelizmente não está mais conosco, mas que tem uma atuação brilhante.

Além da peça “O Avarento” citada por Gigio, tivemos outras muitas contribuições do participantes do Meia Palavra que enriqueceram muito o tema e nossa visão literária sobre a Avareza. Vamos aos comentários dos nossos colaboradores:

Lucas: Posso começar com “Ebenezer Scrooge” do Charles Dickens. Eu vergonhosamente ainda não li o conto, mas eu conheço o dito cujo por um desenho que sempre passava na época de natal. Então começo com “Conto de Natal” e cito ainda “Tio Patinhas”, já que o mesmo foi inspirado no primeiro.

Lembrei de um personagem sem nome de um conto do Machadão, “Entre Santos”. Não é um super personagem, desenvolvido e tudo mais, mas ele é avarento. É de uma das sub-histórias do conto, quando os santos estão conversando sobre os pedidos dos humanos.

Outro exemplo de avareza está no “Auto da Barca do Inferno”. O Onzeneiro é de certa forma avarento ao emprestar dinheiro e cobrar altos juros. É um dos meus personagens favoritos. Ele sempre foi ganancioso, avarento, desde o começo, querendo acumular dinheiro. Mas só depois que ele começa a gastar em vista de uma maior posição social.

Luciano RM:  interessante notar que a avareza pode aparecer como algo dúbio na literatura clássica ídiche: por vezes tem-se a figura do santo oculto, que é avarento aos olhos do mundo mas pratica a caridade de modo velado. A avareza torna-se uma exacerbação da humildade: o ‘santo oculto’ não parece vil aos olhos dos homens porque só se importa com a visão de Deus…

Arnie: O maior ávaro de todos: Pai Grandet (Eugênia Grandet, Balzac). Esse é mais muquirana do que Sr. Sirigueijo.

Omnius: Um personagem avarento que primeiro me vem a mente é o vendeiro João Romão (O Cortiço – Aluisio Azevedo).

R.Kruppa: Ah, o judeu Shylock do livro “O mercador de Veneza” de Shakespeare, ele foi moldado em cima do esterótipo judaico, e posteriormente adaptado como propaganda antisemita pelos nazistas.

Quando se fala em avareza na literatura, não podemos esquecer da Divina Comédia (Dante Alighieri) – Dante reservou o quarto circulo do inferno aos avarentos e aos pródigos. Como castigo suas fortunas se transformaram em pesos onde pródigos e avarentos ficam de lados opostos empurrando um contra o outro por toda a eternidade.

Lana: Se a gente parar pra pensar, o Heathcliff também, porque só queria o dinheiro e as propriedades, e tirar tudo das famílias Earnshaw e Linton. Mas olha o estado em que a propriedade Wuthering Hights se encontrava? Decadente, e ele nem ligava. Só queria mesmo era azucrinar todo mundo.

Gigio: Não é muita coisa, mas só para colaborar, existe uma peça do Molière chamada “O Avarento”. Pude assistí-la aqui em São Paulo, há uns 2 anos. Foi a última peça encenada pelo Paulo Autran…

Sobre a peça, duas impressões ficaram gravadas mais fortemente na minha memória. Primeiro, que o Paulo Autran era realmente fantástico. Segundo, que apesar de todos os acontecimentos, Harpagão continua sendo o mais convicto dos avarentos até o fim! Eu esperava uma reviravolta convencional na história, que em algum momento algo finalmente o sensibilizaria e faria-o mudar, mas não, nada importa a ele, a não ser seu baú de ouro.

Acho que esse é um elemento que deve se repetir ao longo de toda a série dos pecados capitais, a oposição entre “arrependidos” e “pecadores consumados”. E isso envolve uma questão clássica, de base platônica, que não sei se alguém quer se arriscar a responder: é possível ser um pecador consciente ou todo pecado advém da ignorância e dos maus hábitos?

Nós achamos que esta pergunta do Gigio é bastante pertinente, e resolvemos fazer desta uma discussão final, com a participação de todos, é claro. Para o momento, o Meia Xícara de Café convida a todos para a discussão do segundo Pecado Capital: A GULA.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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