Um tipo de amor (Ray Kluun)

umtipodeamorEste livro é um bom exemplo de falsa primeira impressão. A palavra romance, de alguma maneira, faz o livro parecer mais fácil. Porque, sim, este é um livro difícil. Não no sentido de mal escrito, ou mal traduzido ou de literatura rebuscada.

Ao contrário, é escrito de maneira quase coloquial, com referências à cultura pop e aos cenários da moda, numa tradução que acredito ser boa, de uma editora que eu particularmente recomendo. O que faz desse um livro difícil é a carga emocional que o acompanha.

“Um tipo de amor” conta a história de Stijn e Carmen, um casal feliz, relativamente jovem, com uma bela filha chamada Luna, e duas carreiras de sucesso. Stijn e Frenk possuem uma próspera empresa de Marketing, e Carmen é uma espécie de “corretora de propagandas”. A não ser por um detalhe – Stijn sofre de monofobia crônica – têm uma vida perfeita. Até aquela consulta médica.Logo nas primeiras páginas do romance, descobrimos que Carmen, linda, gostosa e jovem – 36 anos – está com câncer de mama. A doença é o foco central do livro. Relatado em primeira pessoa por Stijn, cada capítulo representa uma fase, uma cena no cotidiano desta família que perdeu seu ponto de apoio.

E é um soco no estômago. O personagem principal é de uma sinceridade ferina, quase cruel, e não nos poupa de comentários que nossa sociedade consideraria “despropositados”, para não dizer inadmissíveis. A dor de perder a alma gêmea, junto com a revolta pela perda da vida sexual, todos os níveis degradantes do tratamento. Um relacionamento extra-conjugal – que extrapola os limites da monofobia – o deteriorar de amizades, o abuso de drogas, álcool e o apetite pelo risco, tudo isso é mostrado sem filtros.

Um detalhe interessante são os trechos de livros e músicas que abrem cada capítulo. Refletem o gosto musical e literário do protagonista, além do clima necessário para o que está por vir. Outro detalhe são os inevitáveis parênteses que uma narrativa em primeira pessoa geram, e que neste livro são destacados em pequenos quadros, como pequenos anúncios de jornal.

Uma história difícil de ler, sem levar marcas, é o que nos traz o holandês Ray Kluun com “Um tipo de amor”. Usando sua própria experiência como inspiração – Ray perdeu sua esposa para o câncer, ela tinha 36 – o autor nos entrega uma obra de ficção real demais para passar despercebida.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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