10 Perguntas e meia para Fran Zabaleta

FranFran Zabaleta nasceu em Vigo, na região da Galícia (Espanha), em 1964, e é licenciado em história e geografia pela Universidade de Santiago de Compostela. Já foi professor, roteirista de documentários, autor de textos educativos, redator, corretor e adaptador de obras literárias, editos de livros didáticos, sendo que hoje trabalha como escritor e roteirista freelancer.

Em setembro de 2005 seu primeiro livro “A Cruz de Cinza” (escrito com a colaboração de Luis Astorga) foi publicado na Espanha, sendo que chegou no Brasil em 2008. Seu segundo romance “Medievalario” está em vias de publicação.

O autor foi muito simpático e respondeu às nossas 10 perguntas e meia de maneira muito interessante. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre suas obras, pode acessar seu Cuaderno de Notas

Agradecemos especialmente à Gladis Inostroza, que nos ajudou a traduzir esta entrevista para o português. Os créditos de tradução são de Kika, Palazo e Gladis Inostroza.

Vamos às perguntas:

1. Como é a experiência de escrever um livro em co-autoria (com Luis Astorga)? Interessante, porém complicada. Complicada porque escrever, ao menos para mim, é uma tarefa basicamente solitária, que depende muito das “correntes internas” que fluem em cada momento pelas vísceras (emoções, instintos, impulsos, intuições). Não sei com relação aos outros, mas no meu caso, por mais que me esforce (intensamente) a planejar a história que quero escrever (argumentos, tramas, personagens, cenas…), sempre termino por render-me e deixar que os personagens façam o que querem. E claro, isso dificilmente é compatível com uma colaboração mais ou menos organizada. Escrever com alguém obriga a considerar cada capítulo e colocá-lo em voz alta… e procurar depois, quando se está só em frente ao computador, que a história siga o curso acordado. Felizmente, Luis Astorga e eu nos conhecemos desde crianças, descobrimos mil livros juntos, nos emocionamos com as mesmas histórias e entre nós dois existe uma boa base de cumplicidade e uma visão similar da escrita. E essa dose de cumplicidade e paciência com o outro ajudou durante os desacordos… que inevitavelmente existiram. Por outro lado, foi uma experiência interessante, que enriqueceu a trama e nos permitiu a aprender com o outro…frequentemente à força.

2. Quais as suas maiores influências literárias e não literárias? Uf, esta é uma pergunta difícil. Há quinze ou vinte anos eu o tinha bem claro: podia recitar de cor a lista dos livros, filmes e grupos musicais que me tinham marcado de uma ou outra forma. Mas, além de desmemoriado, sou um leitor compulsivo que frequentemente devora quatro ou cinco livros de uma vez. O resultado é um caos de influências que torna impossível encontrar uma série de nomes definidos. Acho que é mais fácil responder que livros ou autores me interessam no momento (que não têm de ser necessariamente os que mais me influenciam ao escrever). Para citar alguns: Anna Gavalda (Juntos nada más, El consuelo), Stieg Larsson (a personagem de Lisbeth Salander, em sua trilogia Milenium tem uma força tremenda), Gore Vidal (Juliano, o Apóstata), George R.R. Martin (sua série Canções de Gelo e Fogo é daquelas que não nos deixa respirar), Peter F. Hamilton (A estrela de Pandora, Judas desencadeado), Rebecca Gablé, Bernard Cornwell, García Márquez, Jorge Amado (li a maior parte de suas obras “de uma vez” faz anos e todavia permanecem em minha memória), Pedro Juan Gutiérrez, Pedro Zarraluki… E paro, porque me empolgo. Isso sim, se me pergunta isso amanhã, com certeza te digo outros, totalmente diferentes.

3. Você está trabalhando em algum projeto especifico? Tem planos para novos romances? Sim, com certeza, a escrita é um virus díficil de vencer. Terminei (e confio que se publique logo) um novo romance, Medievalario (que, na verdade, são três histórias curtas e um conto com um fio que as une), que conta a história de um menino camponês, um monge e um fidalgo na Galícia da Idade Média. E, depois de um ano de investigação, estou começando um novo romance (que, temo será muito longo) também ambientado na Idade Média. Mas, se me desculpam, prefiro nao falar do que tenho em mãos, por que depois as coisas vão mal…

4. Qual são as diferenças entre ser roteirista de documentários e escrever um romance? Tem preferência por alguma das duas? As diferenças são enormes. O romance exige muitíssimo mais esforço, muitíssimo mais implicações, ao menos no meu caso. Sou um escritor lento (não imaginam o quanto invejo os que são capazes de escrever um ou dois romances ao ano, a mim, me custa sangue, suor e lágrimas publicar um a cada cinco!), dedico muito esforço a investigar, a fazer uma imagem mental da época o mais exata e verídica possível. E isto, no final, desgasta muito. Escrever documentários me exige muito menos esforço: o formato é completamente diferente, mais curto, mais condensado. Não necessita da precisão e da base enciclopédica do romance, ainda que também requeira uma boa dose de investigação. Escrever documentários me deixa relaxado, é mais prazeroso, como um passatempo, e escrever romances é frequentemente uma tortura. E, mesmo assim, sem dúvida nenhuma, prefiro escrever romances. Posso viver sem escrever documentários, mas não saberia o que fazer da vida se não escrevesse romances. É possível que tenha uma veia masoquista…

5. Qual é o período histórico que mais te fascina e que pode vir a ser ambiente para um novo romance de sua autoria? Nenhuma ideia. Tem algum (período) que não o seja? Sou um apaixonado pela história, toda ela, inclusive a contemporânea! Efetivamente, depois da obra que estou trabalhando agora, que também transcorre na Idade Média, espero mudar de época radicalmente. Há muitas outras épocas (e muitos outros processos históricos) que me interessam.

6. Você tem previsão de quando seu novo romance Medievalario será publicado no Brasil? Você tem planos pessoais de conhecer o país e, quem sabe, conhecer um pouco mais de sua história ? Nem sequer sei quando será publicado na Espanha…Imagino que dependerá do resultado de “A cruz de cinza” no Brasil. No final, (por mais que me doa reconhecê-lo), a literatura é um negócio, de forma que se a editora vê que o romance vende, quererá continuar a me publicar..Com respeito à visitar o Brasil, é um velho projeto que espero ver realizado mais cedo que tarde. Tenho um amigo espanhol que está vivendo em São Paulo há vários anos por questões de trabalho e que me contagiou com a fascinação por seu país. Melhor dizendo, voltou a despertá-la, porque ja me atraía desde que li Jorge Amado e Vargas Llosa da Guerra do fim do mundo… Reconheço que sei pouco de sua história, mas o pouco que conheço desperta a minha curiosidade.

7. Em seu site, há alguns contos publicados. Tens a intenção de publicar um livro de contos ou de um gênero diferente? Sim, ambas as coisas. Efetivamente, neste momento tenho vários projetos nas mãos, além do romance histórico. Um é um livro de contos e outro um romance ambientado na atualidade.

8. Como foi a pesquisa para a construção do seu primeiro romance “A Cruz de Cinza”? Você baseou-se unicamente na pesquisa de livros sobre o assunto, ou chegou a visitar os cenários retratados no romance? Foi um trabalho duro de documentação histórica. Não visitamos a Alemenha, nem a Holanda, mas tentamos reconstruir sua geografia e sua história da forma mais exata possível. No entanto, agora tenho a intenção de fazer o caminho de Hans e Baltasar por esses países…Será interessante comprovar como é na realidade o que imaginei tantas vezes.

9. Você disse que já “tentou a sorte”, como ator e diretor de teatro amador. Você pretende um dia se profissionalizar na dramaturgia? Não! Me encanta o teatro, mas a expressão é exata “tentei a sorte como ator e diretor…” e não a tive. Na verdade, sou um ator muito ruim. Não me apetece dar ao espectador a oportunidade de praticar a pontaria comigo…

10. Que dicas você daria para um autor que está começando a escrever? Que escreva todos os dias. Que reescreva muito. Que leia mais ainda, fixando-se em como outros escritores resolvem as situações. Que tenha os olhos sempre abertos, a vida está repleta de literatura. Que não imite, encontre sua própria voz. E, sobretudo, que tenha claro que escrever é um ofício realmente difícil, em que nunca se deixa de aprender…Mas que assim mesmo vale a pena.

1/2 Se eu fosse Baltasar Sachs, eu…Deixaria para trás a muleta da religião e buscaria a utopia neste mundo

Para quem preferir, segue a versão original da entrevista…

1. ¿Cómo es la experiencia de escribir un libro en colaboración (con Luis Astorga)? Interesante, aunque complicada. Complicada porque la escritura, al menos para mí, es una tarea básicamente solitaria, que depende mucho de las “corrientes internas” que fluyen en cada momento por las vísceras (emociones, instintos, impulsos, intuiciones). No sé cómo lo harán otros, pero en mi caso, aunque me esfuerzo (intensamente) por planificar la historia que quiero escribir (argumento, tramas, personajes, escenas…), siempre termino por rendirme y dejar que los personajes hagan lo que quieran. Y claro, eso es difícilmente compatible con una colaboración más o menos organizada. Escribir con alguien obliga a plantearse cada capítulo, a ponerlo todo en voz alta… y procurar después, cuando estás solo frente al ordenador, que la historia siga el curso acordado. Afortunadamente, Luis Astorga y yo nos conocemos desde niños, hemos descubierto mil libros juntos, nos hemos emocionado con las mismas historias y entre los dos existe una buena base de complicidad y una visión similar de la escritura. Y esa dosis de complicidad y paciencia con el otro ayudó mucho a la hora de los desacuerdos… que inevitablemente llegaron. Por otra parte, fue una experiencia interesante, que enriqueció la trama y nos permitió aprender del otro… a menudo a marchas forzadas.

2. ¿Cuáles son sus mayores influencias literarias y no literarias? Uf, esta es una pregunta difícil. Hace quince o veinte años lo tenía muy claro: podía recitar de corrido la lista de los libros, las peliculas o los grupos musicales que me habían impactado de una u otra forma. Pero, además de desmemoriado, soy un lector compulsivo que a menudo devora cuatro o cinco libros a la vez. El resultado es un caos de influencias en el que me resulta imposible encontrar una serie de nombres definidos. Me resulta más fácil responder qué libros o autores me interesan ahora mismo (que no tienen que ser necesariamente los que más me influyen al escribir). Por citar algunos: Anna Gavalda (Juntos nada más, El consuelo), Stieg Larsson (El personaje de Lisbeth Salander, en su trilogía Milenium, tiene una fuerza tremenda), Gore Vidal (Juliano el Apóstata), George R. R. Martin (su serie Canción de Hielo y Fuego es de las que no dejan respirar), Peter F. Hamilton (La estrella de Pandora, Judas desencadenado), Rebecca Gablé, Bernard Cornwell, García Márquez, Jorge Amado (leí la mayor parte de sus obras “de corrido” hace años y todavía permanecen en mi memoria), Pedro Juan Gutiérrez, Pedro Zarraluki… Y paro, porque me embalo. Eso sí: si me lo preguntas mañana, seguro que te digo otros totalmente diferentes…

3. ¿Está trabajando en algún otro proyecto en específico? ¿Tiene planes de realizar nuevas novelas? Sí, por supuesto, esto de la escritura es un virus difícil de vencer. He terminado (y confío en que se publique pronto) una nueva novela, Medievalario (que, en realidad, son tres novelas cortas y un relato con un hilo que las une), que cuenta la historia de un chiquillo campesino, un monje y un noble en la Galicia de la Edad Media. Y, tras un año de investigación, estoy comenzando una nueva novela (que, me temo, será bastante larga) también ambientada en la Edad Media. Pero, si me disculpas, prefiero no hablar de lo que tengo entre manos, porque después las cosas se tuercen…

4. ¿Cuáles son las diferencias entre ser guionista de documentales y escribir una novela? ¿Tiene preferencia por alguna de las dos actividades? Las diferencias son tremendas. La novela exige muchísimo más esfuerzo, muchísima más implicación, al menos en mi caso. Soy un escritor lento (¡no te imaginas lo mucho que envidio a los que son capaces de escribir una o dos novelas por año, a mí me lleva sangre, sudor y lágrimas publicar una cada cinco!), dedico mucho esfuerzo a investigar, a hacerme una imagen mental de la época lo más exacta y verídica posible. Y eso, al final, desgasta mucho. La escritura de guiones me exige mucho menos esfuerzo: el formato es completamente diferente, más breve, más condensado. No necesita la precisión y la base enciclopédica de la novela, aunque también requiere de una buena dosis de investigación. Escribir guiones me resulta relajado, placentero incluso, como un pasatiempo, y escribir novelas es a menudo una tortura. Y, sin embargo, sin ninguna duda, prefiero escribir novelas. Puedo vivir sin escribir guiones, pero no sabría qué hacer en la vida si no escribiera novela. Será que tengo una vena masoquista…

5. Para usted ¿cuál es el período histórico más interesante? ¿Lo utilizaría en una nueva novela? Ni idea. ¿Hay alguno que no lo sea? ¡Me apasiona la historia, toda ella, incluso la contemporánea! De hecho, después de la obra con la que estoy ahora mismo, que también transcurre en la Edad Media, espero cambiar de época radicalmente. Hay otras muchas épocas (y otros muchos procesos históricos) que me interesan.

6. ¿Sabe cuando “Medievalario” será publicado en Brasil? ¿Tiene planes de conocer Brasil y, quizá, conocer un poco más de su historia? Ni siquiera sé cuándo será publicada en España… Imagino que dependerá del resultado de A cruz de cinza en Brasil. Al final (por mucho que me duela reconocerlo), esto de la literatura es un negocio, así que si la editorial ve que la novela vende, querrá seguir publicándome… Respecto a visitar Brasil, es un viejo proyecto que espero ver realizado más temprano que tarde. Tengo un amigo español que ha estado viviendo en Sao Paulo varios años por cuestiones laborales y me ha contagiado la fascinación por vuestro país. Mejor dicho, la ha vuelto a despertar, porque ya me atraía desde que leí a Jorge Amado y al Vargas Llosa de La guerra del fin del mundo… Reconozco que sé poco de vuestra historia, pero lo poco que conozco despierta mi curiosidad.

7. En su sitio, hay algunos relatos publicados. ¿Tiene la intención de publicar un libro de relatos o de un género diferente? Sí a ambas cosas. De hecho, en este momento tengo varios proyectos entre manos, además de la novela histórica. Uno es un libro de relatos y otro una novela ambientada en la actualidad.

8. ¿Cómo fue la pesquisa para la construcción de su primera novela “La cruz de ceniza”? ¿Fue una pesquisa de literatura o visitó algunos de los lugares descritos en el libro? Fue una dura labor de documentación histórica. No visitamos Alemania ni Holanda, pero tratamos de reconstruir su geografía y su historia de la forma más exacta posible. Sin embargo, ahora tengo la intención de hacer el recorrido de Hans y Baltasar por esos países… Será curioso comprobar cómo es en realidad lo que tantas veces imaginé.

9. Usted ha dicho que ya ha probado “suerte como actor y director de teatro amateur”. ¿Tiene ganas de un día ser un profesional en la dramaturgía? ¡No! Me encanta el teatro, pero la expresión es exacta: “probé suerte como actor y director…”. Y no la tuve. En realidad, soy muy mal actor. No me apetece darle al espectador la oportunidad de practicar puntería conmigo…

10. ¿Qué consejos daría a alguien qué está empezando a escribir? Que escriba todos los días. Que reescriba mucho. Que lea más todavía, fijándose en cómo otros escritores resuelven las situaciones. Que tenga los ojos siempre abiertos, la vida está llena de literatura. Que no trate de imitar, que busque su propia voz. Y, sobre todo, que tenga claro que esto de la escritura es un oficio realmente duro, en el que nunca se deja de aprender… pero que aún así merece la pena.

1/2 Si fuera Baltasar Sachs, yo…Dejaría aparcada la muleta de la religión y buscaría la utopía en este mundo.


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Uma menina com histórias pra contar...
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