Azincourt (Bernard Cornwell)

azincourtA batalha de Azincourt (mais conhecida como Agincourt) é conhecida historicamente pela grande disparidade numérica entre os exércitos inglês e francês. Uma das estimativas mais aceitas coloca um exército inglês de 6 mil homens contra mais de 30 mil homens franceses. É um marco da supremacia do uso do arco longo contra cavaleiros e o uso de armas e, nas palavras de Cornwell, da supremacia do homem do povo sobre a nobreza. Foi travada em 25 de outubro de 1415, dia de São Crispim, e ficou famosa na obra Henrique V, de Shakespeare.

O ponto de partida da história de Nicholas Hook é um tanto prosaico. Servo de um senhor menor, Nick tem 19 anos,  é guarda-caças e sua maior ambição é matar seu rival, fruto de uma rixa de família que já dura três gerações. É um bom arqueiro, mas não sabe fazer boas flechas e erra o inimigo num momento crucial. Não sabe ler, não é devoto, é um homem prático e um tanto infantil.

As circunstâncias o levam a presenciar duas batalhas implacáveis: Soissons e Azincourt, ambas indelevelmente marcadas pelos santos Crispiniano e Crispim, que possuem um papel inusitado na obra. Em seu caminho passam também homens como Sir John e Le Seigneur de l’enfer, cruciais para a transformação de Nick, de criança a homem, de guarda-caças a arqueiro, depois a guerreiro, de amaldiçoado a bendito, de homem só a homem amado. Mas não heroi. Homem. Sensato. Como ele próprio diz, “Não sou Cristo, padre. Sou Nick Hook”.

Com descrições bem colocadas, baseada em fatos históricos cuidadosamente pesquisados, Bernard Cornwell revive os horrores do campo de batalha, onde homens de guerra possuem cicatrizes deformadoras, padres são iletrados e muitas vezes pervertidos, nobres não tomam banho, sangue borbulha pelas viseiras das armaduras e cobre o chão arado, canhões explodem, membros são retalhados, homens morrem em meio a vômito e merda, a fumaça escurece caibros dos castelos, as ruas fedem, pessoas adoecem, o medo e a dor estão presentes, e o leitor sente a realidade como um tapa na cara.

Uma batalha histórica. Um protagonista guerreiro. Detalhes.

Para mim, esta é a fórmula mágica de Bernard Cornwell.

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Sobre Clarisse

Uma menina com histórias pra contar...
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3 respostas para Azincourt (Bernard Cornwell)

  1. Anica disse:

    Estou para começar a ler esse Cornwell há tempos, de tanto que falam dele. Mas acho que devo começar pelas histórias envolvendo o rei arthur mesmo hehe

  2. Luis Paulo disse:

    Seria essa a mesma batalha que já é descrita no Arqueiro do Cornwell?

  3. Alana disse:

    Só não concordo com uma coisa: Hook é devoto sim. Até doar dinheiro, ele já doou o_o

    http://soasvezes.wordpress.com/

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